Batata-doce no forno com maionese de alho

Durante a semana raramente tenho muito tempo para cozinhar, e subsisto de refeições rápidas e simples. Mas ao fim-de-semana gosto de caprichar um bocadinho e fazer algo diferente e mais apetecível. Mas guloso também pode significar saudável, e estas batatas são a prova disso!
sweet potato chips
Cortadas fininhas, as batatas, ou outros vegetais, ficam crocantes no forno a elevadas temperaturas (tendo cuidado para não os queimar claro…). Aproveitem e juntem especiarias a gosto, sendo que quando uso batata-doce não resisto em juntar colorau, orégãos, uma pitada de sal e pimenta preta, para um sabor mais elaborado.

A acompanhar estas batatas, ia fazer uns hambúrgueres de feijão preto, mas recriei esta salada de feijão preto com manga e abacate, e tornou-se uma refeição ainda mais simples e rápida, possível de ser feita durante a semana.

Também acompanhei com maionese de alho, que é conseguida a partir de cajus (e nada tem a ver com a receita original, conseguida a partir de uma emulsão de gordura com a lecitina dos ovos). Esta versão também não tem gorduras adicionadas, mas ainda assim permite-nos obter um molho cremoso. Apenas recomendo que utilizem um bom processador de alimentos/liquidificador/máquina de cozinha para obter um molho com uma boa consistência.

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Panna cotta de café com chocolate e avelãs

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Ausentei-me uns tempos do blog e aproveitar para fugir da rotina e conhecer Paris. Durante 5 dias consegui esquecer as responsabilidades e preocupações que fazem parte do dia-a-dia, e por isso agora volto inspirada, com a mente mais tranquila e com mais ideias para artigos e receitas para partilhar convosco.

Numa das noites em Paris comecei a pensar na receita tradicional italiana Panna cotta, e como era tão fácil de fazer, encontrava-se em imensos restaurantes, mas eu nunca tinha experimentado fazer em casa. Já estava nas minhas listas de receitas para experimentar (que, aqui entre nós, a das sobremesas é bem mais comprida…), mas nunca tinha feito porque não era uma receita me chamasse à atenção. Até é levezinha, e bem simples, e o pessoal cá em casa adora pudins, mas o clássico pudim italiano nunca me atraiu. Até começar a pensar em combinações diferentes de sabores, e começar a imaginar esta receita que vos partilho hoje. Passei as ideias para a prática assim que pude, e o resultado surpreendeu-me! Finalmente uma panna cotta com mais sabor, e mais indulgente.
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A combinação de chocolate, café e avelãs parece ter resultado muito bem nesta sobremesa, mas sugiro que adaptem ao vosso gosto, e experimentem outras combinações. Para uma versão menos indulgente, mas não menos saborosa, pode fazer a base da panna cotta (“leites” vegetais + agar + extracto de baunilha + algum xarope) e servir com uma colher de compota caseira, para uma versão mais tradicional, mas também mais leve e simples.
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Como poupar numa alimentação vegetariana

Uma das dúvidas que me colocam frequentemente aqui no blog, nos mails, e correntemente em conversas, é se gasto mais na minha alimentação enquanto vegetariana. Inicialmente nem me tinha debatido com esta questão, porque embora seja poupada, sempre preferi gastar dinheiro de forma mais livre na alimentação. Mas como o orçamento tem vindo a diminuir de há uns tempos para cá, tenho começado a controlar mais esta questão, e tento, inclusivamente, fazer algumas receitas aqui no blog mais acessíveis.

COMO POUPAR NUMA ALIMENTAÇÃO VEGETARIANA
Mas, então, porque é que tendemos a pensar que a alimentação vegetariana é mais cara? Acredito que seja francamente pelos preços de alguns alimentos destinados a vegetarianos (salsichas, hambúrgueres, panados…), que de facto são mais caros. Como baseio a minha alimentação em leguminosas, vegetais, frutas, cereais, oleaginosas e sementes, raramente compro esse tipo de produtos, acredito que a minha alimentação não é mais cara, muito pelo contrário. Posso comprar algumas bebidas vegetais, mas estas por acaso têm vindo a diminuir de preço, e para não comprar iogurtes vegetais até já faço caseiros (podem ver neste artigo a receita). Ocasionalmente também compro tempeh e tofu, que nos supermercados comuns são caros, mas em lojas de produtos naturais, até são relativamente acessíveis. Por isso, a minha estratégia para poupar passa por definir prioridades, e sendo as leguminosas e os vegetais a base dos meus pratos principais, que considero ser acessíveis, vejo as sementes e oleaginosas como produtos de luxo que gosto de usar (em pequena quantidade) para enriquecer as outras refeições, a par de alimentos mais acessíveis, como a aveia e as frutas, por exemplo. Para além disto, também uso outras estratégias para poupar, como:

Comprar avulso
Todas as leguminosas, sementes e oleaginosas que compro são vendidas ao quilo porque acaba por ser bastante mais acessível do que comprar embaladas, ou alguns alimentos já processados (como o feijão em lata). As leguminosas compro em lojas de comércio tradicional ou em feiras locais, onde o preço por quilo ronda os 2€. Tendo em conta que cada quilo de feijão e grão rende 3 quilos depois de cozido, apenas gasto em média 9cent nas leguminosas de cada refeição! (É claro que para poupar tempo cozo em grandes quantidades e congelo em porções para 2 refeições, ou seja, cerca de 260g em cada recipiente).
As sementes e oleaginosas compro avulso em lojas de comércio tradicional no Porto (e não em lojas de produtos naturais). Mas destas, prefiro as sementes de girassol, abóbora e linhaça que são mais acessíveis, e rondam os 5 a 10€/kg. Às vezes compro sementes de chia, mas como considero ser um produto de luxo, compro menos frequentemente. Relativamente às oleaginosas, gosto de comer algumas amêndoas e nozes a meio da manhã, e por isso também as procuro em feiras locais, e às vezes compro-as durante a sua época com casca, e depois durante o ano descasco-as e guardo-as no frigorífico para que preservem as suas gorduras poliinsaturadas. De todos os frutos gordos, o amendoim é o mais barato (compro a 3,5€/kg natural e sem pele nas lojas de comércio tradicional) e por isso prefiro usá-lo para fazer manteiga, para rechear o pão.
Comprar avulso tanto se aplica a alimentos secos, como oleaginosas, leguminosas, chás ou especiarias, como às frutas e vegetais, e até mesmo ao pão, que quando comprados frescos, são mais baratos do que as suas versões embaladas.

ameixos1Comprar segundo a sazonalidade
Como já referi mais acima, alguns alimentos são mais baratos durante a época em que há maior abundância. Assim, prefira comprar os seus alimentos frescos na época, pois são mais acessíveis e ricos nutricionalmente! Compre em mercearias, mercados ou feiras locais pois a fruta e os hortícolas são frescos e normalmente mais baratos.
Consulte nesta página a sazonalidade de alguns alimentos.
Quando compro alimentos fora da sua época, às vezes espreito os preços da secção dos congelados, porque estes nunca estão fora de época! Isto é, os vegetais congelados são apanhados geralmente durante a sua época, e são imediatamente congelados, por isso preservam os seus nutrientes.

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Definir prioridades
É importante definir prioridades no momento da compra, e a qualidade do alimento, a sua relevância na nossa alimentação diária, e o preço, devem ser factores a ter em conta. Prefira investir em alimentos densos a nível nutricional, mas que sejam também acessíveis, ou seja, poupe mais, mas coma melhor! Maçãs, cenouras, couves, aveia, feijões (entre tantos outros….) são superalimentos, e por isso foque-se no essencial, nos alimentos frescos!
Há alguns produtos que mesmo sendo caros, não prescindo, como os suplementos de DHA+EPA de microalgas (com vitamina D3), mas acredito que pode haver lugar para estes “pequenos luxos” se realmente investirmos algum tempo e esforço a poupar no resto.

Cozinhar em maior quantidade
Tal como vos partilhei neste artigo, volto a frisar a importância de aproveitar o tempo livre para confeccionar em maior quantidade, e poupar tempo, energia e dinheiro. Também dou mais relevância aos pratos “de panela”, como estufados, pois gasta-se menos energia durante a confecção (relativamente a preparar alimentos em panelas separadas, ou usar o forno), mas também se preserva algum conteúdo nutricional, e os aromas e sabores ficam concentrados. Como exemplo deste género de preparações, partilho-vos o meu estufado preferido, de lentilhas, batata-doce e espinafres, com uma fatia de abacate, e muita salsa (inspirado nesta receita).

Estufado de lentilhas

Minimizar o desperdício
A minimização do desperdício alimentar pode ser conseguida de diversas formas, nomeadamente pela compra e confecção do essencial, correcta conservação dos alimentos, e aproveitamento das sobras, e isto, indirectamente, também nos ajuda a poupar.
Para comprar somente o essencial, o planeamento das refeições é imprescindível. Desta forma, se planear atempadamente as refeições da semana vai utilizar todos os ingredientes que comprou, e por isso, prevenir o desperdício, mas também vai garantir uma alimentação variada, evitar a repetição de refeições e poupar tempo ao fazer as suas compras.
335A conservação correcta dos alimentos é um aliado na poupança, pois, tendo como exemplo a congelação, podemos guardar futuramente refeições já confeccionadas que sobraram, ou até alimentos, para futura utilização. Por exemplo, nunca uso uma lata inteira de leite de coco nos pratos em que uso este ingrediente, por isso, congelo-o em placas de cubos de gelo, e quando vou a fazer refogados ou algum caril em que fique bem este ingrediente, junto os cubinhos de leite de coco para aquele aroma adocicado e exótico. Também aproveitamos este método de conservação quando o quintal nos presenteia com quilos de vegetais (em pouco tempo), ou quando sobram grandes quantidades de refeições, e não prevemos consumir em poucos dias.

– DIY (Do It Yourself)
Se gosta de alguns produtos mas considera-os caros… Já experimentou recriá-los em casa? Já pensou em fazer hambúrgueres vegetais em casa em vez de os comprar? Ou iogurte? Ou molhos? É possível, basta investir algum tempo, e verá que não só está a poupar, como também como também está a comer melhor pois tem uma maior consciência dos ingredientes que utiliza na preparação!
Aqui no blog pode encontrar receitas de: iogurte caseiro, barras de cereais, granola, manteigas de oleaginosas, crackers, pickles e hambúrgueres vegetais variados.

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