Bolo de chocolate com recheio de frutos silvestres

Há cerca de 2 semanas o blogue fez 3 anos desde que comecei a partilhar-vos as primeiras receitas. “Wow, 3 anos?!” Sim, é verdade, 3 anos que passaram a voar ao vosso lado, e eu não poderia estar mais grata por esta experiência, tanto pelo que tenho vindo a aprender, como pelas experiências que me tem proporcionado. Mas também acarreta cada vez mais uma certa responsabilidade, a de partilhar convosco receitas mais saudáveis e ocasionalmente informação nutricional fidedigna, neste pequeno espaço onde só se fala do mundo vegetal.
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Desta vez, em jeito de celebração, escolhi partilhar-vos um bolo de chocolate com um bocadinho menos de gordura e açúcar do que aquele que já tinha partilhado previamente convosco por aqui.

Esta nova versão do bolo de chocolate conta com a adição de puré de maçã, que permite deixar o bolo húmido e fofo. Também juntei bem menos açúcar (menos de metade), o que me pareceu adequado ao meu gosto, mas se necessário juntem um pouco mais para se adequar ao vosso palato. Podem juntar xarope de arroz ou maple syrup ou açúcar refinado, como preferirem, pois no final, são todos constituídos por açúcares, e vão levar a um rápido aumento dos níveis de glicose no sangue.

É por isso que evito comer doces, independentemente do tipo de açúcares que levam (xaropes ou açúcar cristalizado). Mas quando como, são quase sempre feitos por mim (por isso sei o que levam, e por aqui não há margarinas, ou shortenings com gorduras trans), tento sempre reduzir a quantidade de açúcares adicionados, e tento juntar frutas para que o resultado final não fique desenxabido, claro! O importante é que comer um doce ou uma sobremesa seja algo esporádico, pois por muito saudável que possa parecer um bolo, tanto neste blog como nos outros, não se deixem enganar pelos xaropes, açúcar de coco ou farinhas integrais. É mais um doce. Deve ser evitado ou consumido de forma ocasional. E no que toca a ser saudável, quando a redução do consumo de açúcares é tópico da ordem do dia, há alterações de estilo de vida igualmente (ou até mais) importantes como a prática de exercício físico, tantas vezes esquecida.

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Uffff, bem, já chega de comentários do foro nutricional e vamos passar ao que interessa, o nosso bolinho de celebração!

Como sempre, é um bolo vegan, e desta vez juntei sementes de linhaça à massa, mas também o habitual bicarbonato de sódio e vinagre (ou sumo de limão), que vão deixar este bolo com uma boa textura e consistência, mesmo sem a adição de ovos.

A cobertura que utilizei foi esta de coco, decorei com groselhas, e o recheio é de frutos silvestres com um pouco de cajus, para conseguir um molho mais cremoso e denso, para unir as camadas do bolo.

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Salada de lentilhas, batata-doce crocante e paprika

Salada de batata doce e lentilhas3
Nem no Inverno dispenso uma boa salada. Tento adequá-la à estação, e por isso recorro aos tubérculos, que ficam deliciosos assados só com um pouco de azeite, sal e pimenta preta. Se forem de qualidade, nem é preciso juntar muito tempero para o seu sabor sobressair. É importante cultivar o gosto pelos vegetais preparados de forma simples, para serem facilmente incorporados nos nosso pratos diários, sem grandes esforços.
Batata-doce, cenoura e beterraba são alguns dos meus tubérculos preferidos para adicionar a saladas, porque, para além serem maravilhosamente ricos em vitaminas e fitoquímicos protectores, são bastante versáteis na culinária e permitem a adição de uma enorme variedade de sabores simples (cenoura com gengibre ou laranja(…), beterraba com vinagre balsâmico ou de vinho, e batata-doce com açafrão, caril ou paprika?).
Junto sempre algum género de vegetais de folha verde-escura à salada. Os espinafres persistem quase o ano inteiro aqui no nosso quintal, por isso são presença regular, mas couve Galega cortada finamente, ou até acelgas coloridas dão vida a qualquer salada de Inverno, e enriquecem-na nutricionalmente.
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Como fazer iogurte vegetal em casa

Iogurte de soja
Nunca fui fã de produtos alimentares destinados aos vegetarianos que copiavam produtos animais. Estou a referir-me aos enchidos, salsichas, hambúrgueres (…) disponíveis actualmente nos supermercados, que geralmente contém uma lista interminável de ingredientes, na maioria dos casos preços nada simpáticos, e um valor nutricional que deixa bastante a desejar. Mas de todos, os únicos que realmente gosto de incluir no meu dia-a-dia são as bebidas vegetais, que considero serem uma forma fácil de obter alguns nutrientes importantes (cálcio, vitamina B12, e proteína no caso da bebida de soja…), e os iogurtes. E por norma procuro produtos que sejam bio, sem OGM e sem açúcares adicionados. Como podem imaginar, também tenho em conta o preço destes produtos, o que me levou a considerar começar a fazer alguns destes produtos em casa, como os iogurtes. Após poucas experiências, partilho-vos a receita que me agradou mais, em termos de consistência, e processo de preparação.
Iogurte de soja
Relativamente à receita que se segue, esta não requer uma iogurteira, no entanto, é possível que obtenham melhores resultados com a mesma do que com o método que proponho, pois oferece melhores condições para o processo de fermentação.

Para o próprio processo de fermentação, quando faço os iogurtes caseiros, geralmente uso um iogurte de soja comprado, no lugar da cultura de bactérias, no entanto os resultados são melhores com a cultura, que resultam num iogurte com um sabor caracteristicamente mais ácido, e com textura heterogénea devido à formação de coalho, que seria expectável após uma boa fermentação. A utilização da cultura de bactérias também permite reaproveitar várias vezes o iogurte feito para a vez seguinte. Podem encontrar o fermento de iogurte nas lojas Celeiro, ou na loja online Efeito verde.

Também é possível fazer iogurtes de fruta caseiros, mas sugiro que adicionem as frutas durante a incubação, e devem ser previamente esterilizadas (branqueadas) através de um cozimento em água a ferver durante 3 a 5 minutos, e depois arrefecidas, antes de juntar ao preparado do iogurte.

Relativamente aos ingredientes, adiciono amido de milho e ágar-ágar para obter uma textura mais consistente e menos líquida, para se assemelhar mais a um iogurte de leite de vaca, no entanto, é opcional. Também já vi adicionarem leite de soja em pó para o mesmo efeito, com sucesso.
Cheesecake no copo2

Servi o iogurte caseiro com compota de morangos e chia, e aveia e sementes de girassol ligeiramente tostadas. Estes 3 últimos alimentos são da marca Sementina, que conheci há relativamente pouco tempo, que vende grãos e sementes a preços mais económicos do que nas lojas habituais, e de boa qualidade. Podem conhecer aqui a página de facebook da marca.
A compota de morango e chia é muito semelhante à compota de framboesa que vos partilhei no ano passado, com a pequena diferença de cozer os morangos, o que permite uma maior validade do produto.
A aveia foi ligeiramente tostada para se assemelhar a uma “granola rápida”, onde podem juntar sementes e oleaginosas a gosto, com um pouco de óleo de coco.
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Almôndegas com molho de tomate e cogumelos marinados

almondegas de lentilhas
Quem segue o blog há mais tempo sabe que eu adoro hambúrgueres de leguminosas, e até almôndegas, e tento sempre procurar outras formas de os tornar nutritivos e saborosos. Da última vez que fiz almôndegas, pensei numa forma diferente de ligar as leguminosas, que às vezes teimam em não ficar coesas o suficiente neste género de preparações. Juntar farinhas nunca foi uma opção, e geralmente até junto oleginosas moídas, ou sementes de linhaça moídas, mas desta vez juntei proteína. Foi esta proteína de cânhamo da Loja Vegetariana, mas outras variedades de proteína vegetal também ficam bem. Acabei por fazer umas fantásticas almôndegas de lentilhas, com um sabor ligeiramente apimentado das especiarias, mas com uma textura mais coesa, e um acréscimo no valor nutritivo!

Esta até poderia ser uma daquelas refeições que faço frequentemente, e geralmente até sirvo com um pouco de massa integral, e uma salada verde, e alguns legumes cozidos a vapor.

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Trufas de manteiga de amendoim

Depois de ter feito esta receita, debati-me onde a encaixaria, porque quase que se pode tratar de um snack. Ou de uma sobremesa. Ou talvez os dois.
Peanut butter truffles
A ideia inicial era fazer uma bolinhas “energéticas”, fáceis de fazer e transportar, para comer entre as refeições principais. Juntei alguns dos meus ingredientes preferidos na forma de bolinhas, como aveia, amêndoas, tâmaras e manteiga de amendoim, mas ao provar o sabor desta massa, achei que se calhar era digna de algo mais, e cobri as bolinhas com chocolate. Pareciam pequenas trufas, e até juntei amendoins e pepitas de cacau por cima do chocolate. Na hora de provar, humm… Nem é preciso dizer nada. Quem duvida da combinação de manteiga de amendoim com chocolate?
Peanut butter truffles
Esta receita é também em si, isenta de açúcares adicionados, pois utilizo tâmaras para permitir uma boa consistência das bolinhas, mas também devido ao seu conteúdo em açúcares, que permite um sabor doce agradável. Relativamente ao chocolate, escolho sempre o chocolate com um teor de 70% de cacau.
Por fim, relembro que apesar desta receita incluir alimentos que do meus ponto de vista são saudáveis – aveia e frutos secos – estas pequenas trufas devem ser consumidas em moderação, devido à sua densidade energética!
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