Estufado de lentilhas e beterraba

lentil beet stew
A receita que vos partilho hoje poderia fazer parte daquilo que eu como semanalmente, em qualquer dia. E faz mais sentido que assim o seja. No dia-a-dia recorremos aos ingredientes mais simples, e às confeções mais ordinárias, do “tudo na mesma panela”. E apesar de ser extremamente simples, tem de ser nutritivo, e por isso escolho as lentilhas, aquela leguminosa rica em proteína, hidratos de carbono complexos, fibra, e minerais como o ferro. Misturada como raízes como a beterraba e a cenoura faz uma refeição saciante, e reconfortante com o aroma a louro e tomilho, que gosto de acompanhar com uma fatia de pão rústico, e umas couves salteadas.
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Panquecas de trigo sarraceno e manteiga de amêndoa

As duas últimas semanas complicaram o esquema das publicações do blogue porque infelizmente não tenho tido o mesmo tempo para cozinhar e planear receitas. Era inevitável começar a sentir-me mais stressada nesta fase por causa da faculdade, mas, por sorte, (quase como se as estrelas se tivessem alinhado no momento perfeito), após ter descoberto por mera sorte uma professora de ioga com a qual me identifiquei de imediato, com aulas focadas no que procurava, num local perto de casa, finalmente consegui retomar a prática de ioga regular, e sinto que retomei à normalidade. Ando menos preocupada, apesar de continuar com os trabalhos e relatórios da faculdade para fazer, mas pelo menos já consigo pensar claramente sem me deixar consumir por tudo isto. Pelo menos já consigo respirar fundo e realmente abstrair-me por momentos.
Almond butter buckwheat pancakes
No artigo de hoje partilho convosco umas panquecas que fizeram parte das minhas recentes experiências na culinária sem glúten. O objectivo era conseguir uma textura semelhante às panquecas tradicionais, saborosas, e se possível nutricionalmente interessantes, daí ter escolhido a farinha de trigo-sarraceno, que é uma das minhas preferidas pelo seu valor nutritivo, e sabor curioso. Como esta farinha altera o sabor das panquecas, escolhi a manteiga de amêndoa para acompanhar, (ou manteiga de amendoim se preferirem), banana para dar doçura, e canela por ser aromática e acompanhar tão bem pratos reconfortantes como as panquecas.

A propósito desta receita, deram-me a conhecer esta marca de suplementos, a Myprotein. Achei curioso marcas de suplementos destinados maioritariamente a indivíduos que treinam com propósito, apostarem cada vez mais em linhas de produtos destinados a vegans, como proteínas vegetais de arroz, ervilha, cânhamo, soja, ou esta mistura dos três primeiros, com preços bastante interessantes. Realço também a gama de farinhas, que inclui a trigo-sarraceno, que está a fazer parte das minhas recentes invenções da culinária sem gluten, os frascos de manteigas de frutos gordos de 1kg, dos quais provei a manteiga de amêndoa, e que me deixou bastante satisfeita pela qualidade se igualar à que faço em casa, e o óleo de coco virgem bio.

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Caril de seitan + Semana vegetariana

seitan curry
A propósito da semana vegetariana, que decorre entre 1 e 7 de Outubro, com várias actividades no nosso país, (podem ficar a conhecê-las aqui), reparei que, afinal, já sou vegetariana há 3 anos! Foi por volta de inícios de Outubro ou finais de Setembro em que retirei finalmente a maioria dos produtos animais da minha alimentação.

A ideia de me tornar vegetariana tinha começado há alguns meses atrás, quando me deparei com a realidade por detrás de uma peça de carne, ou de um copo de leite. Tinha uma ideia completamente diferente do que se passava, talvez por influência cultural ou mediatização destes produtos, mas a partir daquele momento não me parecia correcto voltar a comprá-los, e promover a exploração de outros seres vivos sencientes.

Achava que a ideia não seria bem aceite por aqueles que me rodeavam, e, de facto, foi exactamente o que aconteceu naquele momento, mas acabei por fazer algumas modificações a partir daí. Comecei por cortar no leite e derivados, carnes vermelhas, e gradualmente as carnes brancas e peixe, para a família se habituar à ideia, e ao mesmo tempo, aprender a cozinhar sozinha, para mim. Associado a isto, tive a sorte de me cruzar com o livros “O filósofo e lobo”, e mais tarde “Animal Rights” do mesmo autor, Mark Rowlands. A perspetiva filosófica do autor sobre este tema fez-me ganhar a confiança que precisava para expor veemente a minha posição. Perceber que nos temos de colocar perante a posição do outros seres, sencientes, capazes de sentir emoções, tal como nós, e tentar escolher o que é melhor para todos, fez sentido. E fez sentido alterar o meu estilo de vida. Acabei por deixar de usar peles, evitar produtos testados em animais, e outras formas de exploração. Ao mesmo tempo, também fiquei mais ciente da temática dos direitos humanos, e comecei a demonstrar uma postura muito menos consumista, e mais preocupada com as alterações ambientais. Posso dizer que esta alteração do estilo de vida fez-me importar com assuntos que antes nunca tinha verdadeiramente debatido na minha consciência.
curry seasonings
Claro que depois de fazer esta opção me deparei com algumas perguntas: “Bem, e agora, o que é que eu vou comer?” “Será que posso ter uma alimentação saudável?” “Será que vou ingerir proteína suficiente, ou posso vir a ter uma anemia por falta de ferro?”. Na altura descobri alguns websites de médicos e dietistas americanos que estudam o assunto, e o livro “Vegan for life” dos dietistas Jack Norris e Virginia Messina, cujo trabalho é admirável no sentido de divulgar esta opção de estilo de vida como sendo saudável, mas ao mesmo tempo, avisando alguns cuidados a ter, para ter uma nutrição óptima. (Bem, acho que podem imaginar de onde surgiu a ideia do blogue, e a mudança para o curso de Ciências da Nutrição…)

Foi aí que consegui convencer os que me rodeavam de que esta era a minha opção, e que era saudável, sem grandes custos, nem fardos porque eu estaria encarregue de tudo. Comecei a familiarizar-me com a cozinha, alimentos diferentes, um suplemento de vitamina B12, marcas de cosméticos que testam ou não em animais, onde comprar roupa ou calçado (…) enfim, com um pouco de paciência e alguma procura tudo se resolveu, mas têm sido uma aprendizagem contínua.
seitan curry2
O seitan foi a minha primeira experiência na culinária vegetariana, daí o ter preparado para vocês, depois de expor um bocadinho a minha história por detrás deste blog, e desta data. Escusado seria dizer que a receita foi um falhanço total, mas, vou ser sincera, na altura ainda percebia muito menos de culinária. Hoje posso dizer que percebo um bocadinho mais, ou, pelo menos, das minhas vegetarianices.
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Comida de conforto e uma minestrone

Caem os primeiros aguaceiros da estação, e as couves ficam mais tenras, as abóboras crescem, e tiram-se as estacas do feijão, umas das últimas culturas do verão. Aproveito o feijão branco fresco para fazer as primeiras sopas e estufados, enquanto o restante é guardado no congelador para os próximos meses. Já restam poucos ingredientes do verão, mas uma courgette perdida no frigorífico, umas cenouras, o feijão, e os últimos tomates deixados a amadurecer no balcão podem fazer um prato fabuloso.

Com poucos ingredientes, e o tempero certo, podemos fazer pratos simples, saborosos e económicos. E a minha última viagem por Itália veio a comprovar isso, onde a paciência na cozinha, e a qualidade dos ingredientes parece ser a chave para os melhores pratos, mesmo nas sopas mais simples, como a Minestrone.
Minestrone
Minestrone, como o próprio nome indica, é uma sopa com substância, ou seja, é uma sopa rica porque contém vegetais variados, leguminosas e por vezes massa, e por isso é bastante saciante. Como é tão rica em vegetais, o seu conteúdo pode ser variado consoante as estações, por isso a receita que vos partilho foi pensada durante esta fase entre o verão e o outono, mas sugiro que adaptem a receita aos vegetais que tiverem disponíveis.

Este género que sopas rústicas fazem parte do meu menu semanal com muita frequência durante os meses mais frios. É uma comida reconfortante, e é por isso, a minha “comfort food” preferida. E parece que sabe ainda melhor servida em tigelas individuais, com ervas aromáticas, ou com uma colher generosa de molho pesto bem carregado no manjericão (no caso da Minestrone), e com uma fatia de pão caseiro de cereais ao lado para “limpar” a tigela do molho rico que teimou em fugir às colheradas.
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Para gulosos, e sem culpas

Avocado mousse raw cake
Quem convive comigo sabe que praticamente não adiciono açúcar em nada, nem no café, tão pouco no chá, e tentei educar o paladar desta forma, mas honestamente não resisto a um doce ocasionalmente. Como infelizmente a diabetes parece ser uma herança infelizmente na minha família, para além de tentar educar os que me rodeiam a prevenir esta doença, procurei começar a sobremesas sem açúcar adicionado, e aliás, já podem encontrar algumas no blog, como esta mousse de chia, ou até estes queques. Fazer bolos sem açúcar não é fácil, mas tento compensar a doçura com tâmaras (que também contém açúcar, é verdade, muita atenção às doses!), e brevemente vou começar a experimentar adoçar com stevia caseira, mas a textura final dos bolos nem sempre é a melhor.

Esta foi uma das minhas recentes experiências, que curiosamente servi no meu aniversário na passada semana, e parece ter sido aprovada por todos. Trata-se de uma tarte de base de nozes e tâmaras, com cobertura de abacate, inspirados em bolos raw, e outras sobremesas crudívoras mais popularizadas no estrangeiro. O que eu acho mais curioso na culinária crudívora nem é o facto de usarem apenas ingredientes crus e geralmente ser mais saudável, mas sim a simplicidade de todas as confeções culinárias. A maioria dos processos exige apenas um processador de alimentos ou liquidificador, e muita, muita, criatividade. É tão simples, que mesmo quem nunca tenha feito um bolo, aposto que consegue acertar com esta receita à primeira. Basta colocar tudo no processador, triturar pacientemente, ajustar os ingredientes, e moldar a tarte a gosto. Curiosamente, os dois elementos desta tarte também podem ser servidos individualmente. A base (quando bem triturada) dá uns brownies crús (ou “preguiçosos” como os chamam aqui por casa) deliciosos, e a mousse também é capaz de surpreender os mais sépticos. Desafio-vos a experimentar uma receita sem açúcar adicionado, e, quem sabe, desafiar o corpo a viver umas semanitas sem ele?
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