Comida de conforto e uma minestrone

Caem os primeiros aguaceiros da estação, e as couves ficam mais tenras, as abóboras crescem, e tiram-se as estacas do feijão, umas das últimas culturas do verão. Aproveito o feijão branco fresco para fazer as primeiras sopas e estufados, enquanto o restante é guardado no congelador para os próximos meses. Já restam poucos ingredientes do verão, mas uma courgette perdida no frigorífico, umas cenouras, o feijão, e os últimos tomates deixados a amadurecer no balcão podem fazer um prato fabuloso.

Com poucos ingredientes, e o tempero certo, podemos fazer pratos simples, saborosos e económicos. E a minha última viagem por Itália veio a comprovar isso, onde a paciência na cozinha, e a qualidade dos ingredientes parece ser a chave para os melhores pratos, mesmo nas sopas mais simples, como a Minestrone.
Minestrone
Minestrone, como o próprio nome indica, é uma sopa com substância, ou seja, é uma sopa rica porque contém vegetais variados, leguminosas e por vezes massa, e por isso é bastante saciante. Como é tão rica em vegetais, o seu conteúdo pode ser variado consoante as estações, por isso a receita que vos partilho foi pensada durante esta fase entre o verão e o outono, mas sugiro que adaptem a receita aos vegetais que tiverem disponíveis.

Este género que sopas rústicas fazem parte do meu menu semanal com muita frequência durante os meses mais frios. É uma comida reconfortante, e é por isso, a minha “comfort food” preferida. E parece que sabe ainda melhor servida em tigelas individuais, com ervas aromáticas, ou com uma colher generosa de molho pesto bem carregado no manjericão (no caso da Minestrone), e com uma fatia de pão caseiro de cereais ao lado para “limpar” a tigela do molho rico que teimou em fugir às colheradas.
Minestrone + pesto + bread (more…)

About these ads

Para gulosos, e sem culpas

Avocado mousse raw cake
Quem convive comigo sabe que praticamente não adiciono açúcar em nada, nem no café, tão pouco no chá, e tentei educar o paladar desta forma, mas honestamente não resisto a um doce ocasionalmente. Como infelizmente a diabetes parece ser uma herança infelizmente na minha família, para além de tentar educar os que me rodeiam a prevenir esta doença, procurei começar a sobremesas sem açúcar adicionado, e aliás, já podem encontrar algumas no blog, como esta mousse de chia, ou até estes queques. Fazer bolos sem açúcar não é fácil, mas tento compensar a doçura com tâmaras (que também contém açúcar, é verdade, muita atenção às doses!), e brevemente vou começar a experimentar adoçar com stevia caseira, mas a textura final dos bolos nem sempre é a melhor.

Esta foi uma das minhas recentes experiências, que curiosamente servi no meu aniversário na passada semana, e parece ter sido aprovada por todos. Trata-se de uma tarte de base de nozes e tâmaras, com cobertura de abacate, inspirados em bolos raw, e outras sobremesas crudívoras mais popularizadas no estrangeiro. O que eu acho mais curioso na culinária crudívora nem é o facto de usarem apenas ingredientes crus e geralmente ser mais saudável, mas sim a simplicidade de todas as confeções culinárias. A maioria dos processos exige apenas um processador de alimentos ou liquidificador, e muita, muita, criatividade. É tão simples, que mesmo quem nunca tenha feito um bolo, aposto que consegue acertar com esta receita à primeira. Basta colocar tudo no processador, triturar pacientemente, ajustar os ingredientes, e moldar a tarte a gosto. Curiosamente, os dois elementos desta tarte também podem ser servidos individualmente. A base (quando bem triturada) dá uns brownies crús (ou “preguiçosos” como os chamam aqui por casa) deliciosos, e a mousse também é capaz de surpreender os mais sépticos. Desafio-vos a experimentar uma receita sem açúcar adicionado, e, quem sabe, desafiar o corpo a viver umas semanitas sem ele?
Avocado mousse raw cake (more…)

Hambúrgueres de beterraba

Beet burgers
De volta à rotina das aulas, tenho por hábito organizar um plano de refeições semanal para perder menos tempo a pensar no que vou cozinhar para mim, ou para comprar os ingredientes antecipadamente, para que não falte nada. É claro que há dias em que altero o esquema e faço uma receita qualquer que me surja de repente a caminho de casa no comboio, ou até mesmo quando tenho desejos de alguma “confort food”. Para além de planear, também recheio o congelador de hambúrgueres de lentilhas, grão, feijão, enfim, quanto a imaginação permitir, e algumas almôndegas. São de facto a minha salvação no tempo de aulas pois limito-me a descongelá-los e levar ao forno 15 minutos, e afinal, para fast food, até são incrivelmente saudáveis.
Beet burgers2
Nesta receita, para quem não é adepto do sabor “a terra” da beterraba sugiro que opte pelo tofu fumado que mascara completamente o sabor da beterraba, e, aliás, dá um sabor e texura que agradou os “carnívoros” aqui de casa. Para quem não usa tofu, pode mesmo não juntar este ingrediente e substituir por ¼ chávena de arroz (integral) cozido, para o hambúrguer ficar com uma textura coesa. Quanto ao feijão, se por acaso não tiverem à mão o feijão adzuki, podem muito bem substituir pelo feijão preto ou vermelho. O feijão preto acaba por dar outra personalidade ao hambúrguer, mas fica igualmente delicioso. O feijão adzuki que é mais discreto deixa sobressair o sabor adocicado da beterraba, e o amargo das nozes, assim como também combina em pleno com o pequeno travo a sementes de coentros.

Este hambúrguer de beterraba fica muito bem servido num pão rústico estaladiço, e abacate esmagado com pimenta preta, mas outros acompanhamentos também são bem vindos.

Beet burgers (more…)

Crepes integrais com pêssego e iogurte

Beach
Nestas últimas semanas ausentei-me um bocadinho do blogue para aproveitar o que restava das minhas férias de estudante, e fui conhecer um pouco da costa mediterrânica ocidental. Entre La Valletta, tão repleta de história, praias que pareciam pequenos pedaços do paraíso na Sicília, e o belíssimo e natural norte de Itália, trouxe comigo algumas influências da gastronomia mediterrânea, essencialmente italiana, que provavelmente vou partilhar convosco futuramente. Para já, continuo os próximos artigos com algumas ideias já planeadas, como estes crepes.
Peach yogurt crepes
Já há algum tempo que tinha prometido a mim mesma partilhar-vos uma receita de crepes. Decidi partilhar-vos a minha receita mais simples, com farinha de trigo integral, mas esta receita também funciona muito bem com farinha de espelta. Em breve vou também começar a experimentar com farinha de trigo-sarraceno para uma versão sem glúten, após alguns pedidos de receitas sem esta proteína.
Quanto a esta receita, aviso que a massa deste crepe tende a ser ligeiramente mais densa do que a dos crepes tradicionais, porque a farinha de trigo integral conserva algum do farelo e gérmen, deixando a massa dos crepes mais “pesada”. Por esta mesma razão, é mais difícil espalhar a massa, e por isso os crepes também tendem a ser ligeiramente menos finos. Acho que é uma questão facilmente ultrapassável, mas se preferirem podem substituir metade do volume de farinha integral por farinha branca para melhores resultados.
Peach yogurt crepes
Como também já estamos quase a chegar ao final do verão, decidi que seria a minha última receita com o meu fruto preferido, o pêssego. Mas se já estiverem a faltar por vossa casa, parece-me (segunda a minha última visita à quinta), que estão para vir umas maçãs bem suculentas em breve que também merecem algum protagonismo.
(more…)

Guest post com: Veggies on the counter

Esta semana decidi dar-vos a conhecer através de guest post a blogger Joana Mendes, do Veggies on the counter. Fico muito contente por ter a oportunidade de vos partilhar uma receita de um dos meus blogs preferidos de cozinha vegan, que curiosamente é escrito por uma portuguesa na língua estrangeira. Admiro muito as suas receitas, não só por se focar em ingredientes vegetais e as considerar bem ponderadas a nível nutricional, mas pela execução e imaginação nas diferentes combinações de texturas e sabores. E admiro, claro, as suas fotografias, em que consegue captar sempre a comida com a maior simplicidade, mas ao mesmo tempo ter fotografias tão ricas com o que verdadeiramente importa, a receita e todos os seus componentes.
00final
Numa viagem recente a Lisboa experimentei, pela primeira vez, uma sandes de vegetais assados. Consistia, basicamente, numa baguete integral recheada com uma quantidade generosa de pimento vermelho, tomate e beringela assados, bem temperados com orégãos e azeite. Gostei imenso da ideia e apontei-a no caderninho que tenho reservado para as listas de compras e ideias/rascunhos de receitas para o blog e, assim que cheguei ao Porto, fiz a minha própria versão. Optei por grelhar os legumes em vez de os assar e barrei o pão com um pesto muito simples, inventado à última da hora, sob o pretexto de ir bem com os vegetais e complexificar o sabor da sandes.

A quantidade de pesto que a receita dá foi, no meu caso, superior àquela que precisei para as sandes. Usei-o depois para temperar uma salada de grão e espinafres e uma outra de “esparguete” de courgette crua – em ambos os casos, revelou-se uma excelente adição.
1st collage
4thcomp
(more…)