About Márcia Gonçalves

http://compassionatecuisineblog.com/

22 anos, Vila Nova de Gaia, estudante de Ciências da Nutrição.

Posts by Márcia Gonçalves:

Tarte de doce de leite e chocolate

Acho que nesta receita as fotografias falam por si mas, se a colocarem em prática, podem contar com uma sobremesa sumptuosa onde os sabores tostados e textura viscosa do doce de leite se funde com a ganache cremosa, balanceando-se as texturas com o toque final crocante dos amendoins tostados.


Para quem não está tão familiarizado com o doce de leite, trata-se de um molho de caramelo cremoso, tradicionalmente feito com leite e açúcar, cozido lentamente durante 7 horas. Mas calma, a receita que hoje vos partilho não requer que mexam ou vigiem uma panela durante todo este tempo! Nada disso. Neste método, o tempo de preparação e a atenção exigida são mínimos. O único passo para a sua elaboração é o cozimento de uma lata (fechada) de leite condensado durante umas 3 a 4 horas numa panela de água!

Mas, antes de passarmos ao método e aos seus cuidados, porquê doce de leite (ou leite condensado cozido)? Apenas porque se trata de uma forma fácil de obter um molho de caramelo incrivelmente cremoso. O cozimento do leite condensado vai levar ao desenvolvimento das reações de Maillard, originando o aroma e sabor ricos e intensos que lhes são característicos (e não propriamente devido às reações de caramelização, que ocorrem a temperaturas na ordem dos 160-204 °C, mas que também são responsáveis pela formação de novos compostos de aroma delicioso). Estas reações, iniciadas pelo aumento da temperatura (tão baixa quanto o ponto de ebulição da água), ocorrem entre um aminoácido e alguns tipos de açúcares e, após uma série de etapas, originam compostos responsáveis pela coloração acastanhada nos alimentos, aroma agradável, e o sabor característico tostado e intenso.


O resultado final é o doce de leite, de sabor complexo e de consistência viscosa e cremosa ao mesmo tempo, que resulta bem com fruta, adicionado à maioria das sobremesas, mas que combina especialmente bem com café, chocolate, e até mesmo com sal.

Relativamente ao método para a elaboração do doce de leite, já referi que apenas coloco a lata fechada a cozer em água durante algumas horas. Existem outros métodos, mas tenho alguma preferência por este, pois para além da facilidade do processo, que requer o mínimo de tempo de preparação e atenção, este método assegura bons resultados porque a lata, uma vez fechada, previne a evaporação do leite condensado, resultando numa textura mais cremosa (quase como um pudim). Outros métodos, como o cozimento do leite condensado no micro-ondas, ou em banho-maria num frasco ou, no forno, levam à evaporação do leite condensado, o que poderá traduzir-se em resultados menos satisfatórios.


(mais…)

Pasta alla norma (massa com beringela salteada e molho de tomate)

Esta semana deixo-vos uma das formas de preparar beringela que mais aprecio, a pasta alla norma. Trata-se de um prato siciliano de massa, envolvida em molho de tomate, beringela salteada, e tradicionalmente guarnecido com salada de requeijão.

A receita, como poderão constatar, é muito simples na sua preparação e no número de ingredientes. Mas a riqueza do seu sabor é admirável e, a meu ver, resulta do facto de a beringela ser lentamente salteada num azeite de qualidade até formar uma superfície caramelizada e um interior macio. Se saltear o vegetal em lume alto, rapidamente, poderá notar que se desenvolve uma superfície acastanhada precocemente, antes do interior estar tenro e macio .


Depois de preparar a beringela, algumas variações da receita sugerem adicioná-la ao tomate maduro antes da sua redução em molho, enquanto outras apenas a servem no final, aquando do empratamento. A maioria sugere servir a beringela em cubos, mas algumas servem-na em rodelas. E há uma versão da Chef Sara Jenkins disponível na Saveur que, inclusivamente, em vez de saltear a beringela, ou de a fritar imersa em óleo, assa-la no forno bem envolvida em azeite e a uma temperatura consideravelmente elevada. Caso tenham interesse em experimentar esta versão, basta levar a beringela cortada em cubos condimentada com azeite, sal e pimenta, ao forno a 250°C durante 15 a 20 minutos até desenvolver uma superfície caramelizada, devendo ser virada ocasionalmente para não secar.
A forma de preparar esta receita que vos deixo é a versão que sinceramente mais me agradou até agora, por não cozer excessivamente a beringela, não exagerar na quantidade de azeite adicionado e cujo procedimento revelou ser o mais simples.

Apesar da beringela ser a estrela do prato, é o molho de tomate que liga os vários elementos e dá corpo à receita. Na receita que vos deixo abaixo, podem encontrar um molho rico, aromatizado com azeite, alho e manjericão. E, nesta altura do ano, até consegui incorporar alguns dos últimos tomates da nossa horta. Impossível não aproveitar os últimos tomates que realmente sabem a tomate! No entanto, de forma a poderem por em prática a receita durante todo o ano, na descrição, deixo-vos a indicação para utilizarem tomate pelado enlatado ou, igual quantidade de tomate fresco maduro.

Relativamente à qualidade da massa, utilizem aquela que gostarem, podendo ser esparguete, hélices, cotovelos, de trigo integral… Tenham apenas o cuidado de a cozer até estar al dente para depois ser envolvida no molho de tomate. Nesta receita resolvi experimentar estas hélices de grão-de-bico, porque quis ver como é que se portava uma massa à base de leguminosas nesta receita. O resultado foi satisfatório (o molho, inclusivamente, sobrepôs-se ao sabor ligeiramente amargo que acompanha a farinha de grão-de-bico) e revelou ser uma alternativa bastante saciante!

Por último, para guarnecer, é frequentemente adicionado requeijão. Para uma opção vegan, sugiro esta receita, de sabor salgado, que completamenta a beringela caramelizada e o molho de tomate rico.


(mais…)

Queques de grão-de-bico e vegetais


A sugestão que vos partilho esta semana são uns queques salgados feitos com farinha de grão-de-bico. Esta receita dá resposta a uma dúvida que persistia na receita das Quiches individuais de cebola caramelizada, onde o recheio da tarte foi conseguido triturando grão-de-bico demolhado. Este passo mais trabalhoso era uma alternativa à utilização da farinha de grão-de-bico, frequentemente indicada na elaboração deste género de receitas, mas que na altura tinha alguma dificuldade em encontrar. Alguns leitores da página ainda questionaram a quantidade de farinha a utilizar na massa, no lugar do grão-de-bico demolhado, mas admito que não consegui realmente experimentar essa opção na altura.

Assim, a massa desta receita surge como alternativa ao recheio da receita das quiches de cebola caramelizada, podendo ser utilizada ¼ da massa proposta em baixo para fazer as 4 “quiches” individuais.


Como apresentei a receita sem a crosta, até lhe atribuí outro nome, mas não esperem uma massa fofa como um queque, mas uma massa mais coesa e densa, que envolve bem os vegetais.
Para enriquecer a massa de grão-de-bico, deixo-vos 2 opções de recheio: um de abóbora, cogumelos, nozes e tomilho, com ingredientes desta estação e que deixa a massa com um sabor ligeiramente adocicado da abóbora; e, outra opção, de tomate e curgete, que permite obter uma massa mais húmida, e rica em sabor pela utilização das diferentes ervas aromáticas.


Neste género de aperitivos ou snacks salgados, práticos, relembro ainda uma variação que partilhei recentemente nas redes sociais, com ingredientes menos tradicionais, mas que alguns de vocês até possam gostar e achar mais prática relativamente à utilização da farinha de grão-de-bico.

(mais…)