Como já há algum tempo que não partilhava saladas, e a estação das verdes e dos citrinos está a acabar… Esta semana resolvi partilhar-vos uma sugestão simples de uma salada com alguns dos meus ingredientes preferidos e que considero essenciais no Inverno. Sei que nem toda a gente é aberta a saladas nesta estação, mas acho que esta salada pode ser uma boa entrada ao almoço; ou, se juntarem um cereal do vosso agrado (millet, cevada, trigo, bulgur, couscous, quinoa…), pode ser um prato principal leve.
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Arroz malandro com feijão frade
Depois de tacos mexicanos reinventados, hambúrgueres que nada têm a haver com os americanos, e comida indiana, achei que faltava um prato principal com as minhas origens por aqui. Desculpem-me se por vezes me deixo levar pelo entusiasmo do diferente, mas é-me difícil associar a comida com que fui criada ao vegetarianismo, e por isso procuro inspirações de outras cozinhas. No entanto, o arrozinho malandro que a minha mãe faz, é daquelas receitas que sempre me ficará na memória.
Habitualmente o arroz malando é feito com feijão vermelho, mas como aqui por casa há quem não goste de feijão vermelho (não me perguntem como é possível estas pessoas gostarem de todos os tipos de feijão, mas embirrarem com este). E é por isso que aqui por casa se faz com feijão frade. No entanto, sintam-se à vontade de fazer com o feijão que preferirem. Aqui por casa, também juntamos alguns grelos (de nabo) à panela, até porque já estão a acabar no quintal, e há que aproveitar os verdes da estação. Mais uma vez, sintam-se à vontade de utilizar outro tipo de vegetais de folha verde.
E sabe bem voltar às origens. Principalmente quando vemos que este prato, com ingredientes tão humildes, mas de cariz nutricional nobre, concentra tanto sabor.
A minha receita de caril // My own curry recipe
Infelizmente nunca tive muitas oportunidades de viajar. E depois de desenvolver uma paixão por cozinhar, achei que o meu dicionário mental de receitas era algo limitado face àquilo que outras pessoas dominam. E por isso gosto de experimentar mais receitas diferentes, de origens culturais distintas. Mas acredito que a melhor forma de descobrir é conhecendo a forma como as outras pessoas o fazem e com o seu padrão cultural por trás. E infelizmente viajar está inerente a isso, pois é a única forma de revelar a verdadeira essência das comidas étnicas.
No outro dia, fiquei desiludida quando li que o pó de caril comercialmente vendido, não passa de uma imitação das antigas colónias Britânicas dos sabores indianos. (1) Afinal, é simplesmente um nome dado pelos ocidentais a estufados que tem origem na Índia, Paquistão, Bangladesh, e outros países orientais, que tem em comum a incorporação de sabores complexos através da combinação específica de especiarias, ervas aromáticas e pimentas. Esta combinação de sabores não é feita ao acaso, e é determinada por fatores culturais, regionais, familiares e claro, cada especiaria deve ser adequada ao prato de conter carne, peixe e/ou vegetais. Nestes países, não existe uma mistura de “caril standard”, mas sim, masalas, combinações de especiarias adequados a cada prato. (2)
É praticamente impossível trazer os sabores da Índia para minha casa, (e talvez nem aguentasse os sabores pungentes) mas posso continuar a sonhar. Há algum tempo, encontrei esta mistura de especiarias (do Chef Tyler Florence no Food Network) que me pareceu intrigante. Não ia misturar especiarias do nada e precisava de uma base, para o meu estufado com vegetais inspirado nos sabores da Índia. E adorei esta combinação. Estou hoje a partilhar-vos porque é muito melhor do que qualquer mistura de caril comercial. Para começar, a mistura de especiarias não ficou a ressacar não sei quantos meses na prateleira do supermercado. Depois, é feita maioritariamente das especiarias inteiras, por isso concentra melhor o seu sabor. E por fim, ao tostar as sementes e grãos, vão obter um sabor mais apurado e fragante.
Salteado de couve // Kale sauté
Ultimamente tenho tentado mostrar pratos completos aqui no blog, com verduras, hidratos e uma fonte de proteína. No entanto, acontece que também já servi pratos com poucas verduras, porque habitualmente cozinho-as e sirvo-as separadamente aqui por casa. E, como são um grupo de enorme importância na alimentação vegetariana, relembro e incentivo o seu consumo. Ver ”Vegetais & Frutas” na página Nutrição na barra de separadores do blog.
Dentro do grupo dos vegetais vedes escuros, escolhi dar ênfase a um dos vegetais mais ricos nutricionalmente na culinária Portuguesa, a Couve-Galega.
Uma chávena (130g) de couve cozida contém 36 calorias, 5 gramas de fibra, 10% da dose diária recomendada de Cálcio, 1300% da dose diária de vitamina K, 350% da dose diária de vitamina A, e 90% da dose diária de vitamina C. Também apresenta valores muito interessantes de minerais como o Cobre, Potássio, Ferro, Manganês e Fósforo. (1)
A presença de elevadas doses das vitaminas A e K (nutrientes antioxidantes), os fitonutrientes anticancerígenos como os glucosinolatos, e a ainda compostos anti-inflamatórios (ácidos gordos essenciais ômega 3 e vitamina K), tornam a couve um alimento por excelência na prevenção de cancro, e na proteção do nosso corpo do stress oxidativo (e doenças relacionadas). (2)
Além de antioxidantes, o conteúdo em fibra da couve ajuda na redução dos níveis de colesterol sanguíneo, e o seu consumo está relacionado com um menor risco de doença coronária, especialmente quando a couve é cozinhada. (3) Isto acontece porque a fibra prende-se aos ácidos biliares libertados durante a digestão para a emulsificação e absorção da gordura. Estando estes ácidos biliares presos à fibra, não são absorvidos pelo organismo, juntamente com as gorduras. E sendo necessários mais ácidos biliares para este processo da absorção de gordura, é gasto colesterol no fígado, levando a uma diminuição dos níveis de colesterol sanguíneo.
Tacos de tofu, salada de repolho e molho de caju e limão // Tofu coleslaw tacos with lemon cashew sauce
As últimas duas semanas de exames obrigaram-me a uma rotina aborrecida de refeições, sem nada criativo ou diferente, onde o tempo foi todo passado colada aos livros, sebentas e computador. Felizmente essa fase já acabou (acho eu), e posso finalmente dedicar mais tempo ao blog, às receitas e a mim mesma. Por isso, o primeiro almoço que fiz depois do último exame, foi esta receita, que não me saía da cabeça à algum tempo, em que utilizo tortilhas mexicanas, tofu feito da minha forma preferida, uma mistura de repolhos e cenoura, e finalmente um molho maravilhoso (e totalmente aprovado pela família) de caju e limão.
Não sei se já experimentaram fazer molho a partir de cajus, mas para mim foi das melhores coisas que poderia ter descoberto na minha cozinha, pois é capaz de criar molhos incrivelmente cremosos que parecem natas ou iogurte. Quanto ao sabor, preferia deixá-lo simples, com uma agradável essência a limão e um travo interessante de alho. Este molho teve como inspiração o molho sourcream do livro Super Natural Cooking e um molho básico do livro A dieta da comida crua, onde vi as proporções e adaptei os temperos ao meu gosto. No entanto, sintam-se à vontade de juntar ervas aromáticas e outras especiarias da vossa preferência.



