Verão

A minha versão do Pad Thai

Parte do encanto que sinto pelo mundo da culinária está relacionado com a necessidade de sermos criativos. Porque não somos capazes de comer o mesmo todos os dias, somos impulsionados pelo gosto do acto de cozinhar a descobrir novos sabores e variações de receitas clássicas. O Pad Thai é uma dessas receitas. Quando ouvi falar deste prato tipicamente tailandês, associei-o imediatamente a um prato com ingredientes como carnes, camarões e molho de peixe. Algo difícil de adaptar. Mas depois descobri umas centenas de adaptações vegetarianas, que incluíam tofu, edamame, vegetais variados, noodles, arroz (…), e inclusivamente o molho era completamente diferente de receita para receita, e podia mudar completamente de ingredientes… No meio de tanta versão, não faço ideia de qual é que se aproxima da original. A culinária tem destas coisas curiosas. Pega-se numa ideia e adapta-se ao nosso gosto, para a tornar ainda melhor, mas ao mesmo tempo reconhecendo que nada nasce a partir do nada, apenas criamos novas versões, e evoluímos.

Pad ThaiNesta versão do Pad Thai, inspirada numa receita do livro “Green Kitchen Travels“, utilizei noodles de curgete e cenoura para lhe dar uma textura mais crocante, mas também para fugir aos tradicionais noodles, e aproveitar este prato quase como se de uma salada se tratasse. (Afinal, não é hoje que começa a Primavera?) No entanto, para uma refeição mais saciante, sugiro que juntem noodles de trigo sarraceno ou outros da vossa preferência. Também juntei tofu e rebentos de feijão mungo, para aumentar teor proteico desta “salada”. O molho é muito diferente de muitos que já experimentei, e utiliza manteiga de amendoim, molho de soja e sumo de lima, ingredientes que nunca imaginei que pudessem combinar, mas resultam muito bem neste prato fresco. Por fim, sugiro que guarneçam o prato com amendoins crocantes, sementes levemente tostadas, e coentros frescos, para dar uma textura e aroma ainda melhor a esta versão do Pad Thai!

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Comida de conforto e uma minestrone

Caem os primeiros aguaceiros da estação, e as couves ficam mais tenras, as abóboras crescem, e tiram-se as estacas do feijão, umas das últimas culturas do verão. Aproveito o feijão branco fresco para fazer as primeiras sopas e estufados, enquanto o restante é guardado no congelador para os próximos meses. Já restam poucos ingredientes do verão, mas uma courgette perdida no frigorífico, umas cenouras, o feijão, e os últimos tomates deixados a amadurecer no balcão podem fazer um prato fabuloso.

Com poucos ingredientes, e o tempero certo, podemos fazer pratos simples, saborosos e económicos. E a minha última viagem por Itália veio a comprovar isso, onde a paciência na cozinha, e a qualidade dos ingredientes parece ser a chave para os melhores pratos, mesmo nas sopas mais simples, como a Minestrone.
Minestrone
Minestrone, como o próprio nome indica, é uma sopa com substância, ou seja, é uma sopa rica porque contém vegetais variados, leguminosas e por vezes massa, e por isso é bastante saciante. Como é tão rica em vegetais, o seu conteúdo pode ser variado consoante as estações, por isso a receita que vos partilho foi pensada durante esta fase entre o verão e o outono, mas sugiro que adaptem a receita aos vegetais que tiverem disponíveis.

Este género que sopas rústicas fazem parte do meu menu semanal com muita frequência durante os meses mais frios. É uma comida reconfortante, e é por isso, a minha “comfort food” preferida. E parece que sabe ainda melhor servida em tigelas individuais, com ervas aromáticas, ou com uma colher generosa de molho pesto bem carregado no manjericão (no caso da Minestrone), e com uma fatia de pão caseiro de cereais ao lado para “limpar” a tigela do molho rico que teimou em fugir às colheradas.
Minestrone + pesto + bread (mais…)

Hambúrgueres de beterraba

Beet burgers
De volta à rotina das aulas, tenho por hábito organizar um plano de refeições semanal para perder menos tempo a pensar no que vou cozinhar para mim, ou para comprar os ingredientes antecipadamente, para que não falte nada. É claro que há dias em que altero o esquema e faço uma receita qualquer que me surja de repente a caminho de casa no comboio, ou até mesmo quando tenho desejos de alguma “confort food”. Para além de planear, também recheio o congelador de hambúrgueres de lentilhas, grão, feijão, enfim, quanto a imaginação permitir, e algumas almôndegas. São de facto a minha salvação no tempo de aulas pois limito-me a descongelá-los e levar ao forno 15 minutos, e afinal, para fast food, até são incrivelmente saudáveis.
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Nesta receita, para quem não é adepto do sabor “a terra” da beterraba sugiro que opte pelo tofu fumado que mascara completamente o sabor da beterraba, e, aliás, dá um sabor e texura que agradou os “carnívoros” aqui de casa. Para quem não usa tofu, pode mesmo não juntar este ingrediente e substituir por ¼ chávena de arroz (integral) cozido, para o hambúrguer ficar com uma textura coesa. Quanto ao feijão, se por acaso não tiverem à mão o feijão adzuki, podem muito bem substituir pelo feijão preto ou vermelho. O feijão preto acaba por dar outra personalidade ao hambúrguer, mas fica igualmente delicioso. O feijão adzuki que é mais discreto deixa sobressair o sabor adocicado da beterraba, e o amargo das nozes, assim como também combina em pleno com o pequeno travo a sementes de coentros.

Este hambúrguer de beterraba fica muito bem servido num pão rústico estaladiço, e abacate esmagado com pimenta preta, mas outros acompanhamentos também são bem vindos.

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