Zinco

O zinco é um oligoelemento que está envolvido em inúmeros aspetos do metabolismo celular. Desempenha um papel importante na função imune, síntese proteica, cicatrização e divisão celular1.

À semelhança do ferro, o zinco proveniente de alimentos de origem vegetal apresenta uma menor biodisponibilidade2. O principal inibidor da absorção de zinco são os fitatos3. O efeito inibitório pode ser ultrapassado através do processamento alimentar e de técnicas que utilizam enzimas ou processamento térmico para hidrolisar os fitatos. Demolhar e germinar as leguminosas, cereais e sementes também reduz o conteúdo em fitatos, e potencia a absorção de zinco, assim como a fermentação do pão4,5. Uma ingestão mais elevada de proteína também parece aumentar a absorção de zinco5.

Quando bem planeado, um padrão alimentar vegetariano pode fornecer zinco nas quantidades adequadas através do consumo de leguminosas, soja e derivados, cereais integrais, frutos gordos e sementes, assim como hortofrutícolas que potenciam a absorção6. A evidência sugere que uma alimentação vegetariana fornece um conteúdo em zinco similar ou ligeiramente mais baixo do que uma alimentação não vegetariana6,7, e que os níveis séricos de zinco são mais baixos em veganos, mas dentro de parâmetros considerados normais2,7-9. O organismo possui mecanismos homeostáticos que regulam os níveis de zinco apesar da ingestão alimentar e biodisponibilidade. Estes mecanismos mantém a suficiência de zinco pela redução das perdas, e pelo aumento da eficiência da absorção6,10. Parece ocorrer uma adaptação em vegetarianos onde os níveis de zinco permanecem estáveis após um período de ajuste inicial3,11.

A ingestão diária recomendada para homens e mulheres adultos é de 11 e 8 mg, respetivamente. De acordo com a Food and Nutrition Board, alguns vegetarianos poderão ter de aumentar a ingestão de zinco em 50%, caso o padrão alimentar seja à base de alimentos ricos em fitatos como cereais e leguminosas1.

 

Bibliografia:
1. Food and Nutrition Board, Institute of Medicine, National Academies. Dietary Reference Intakes: The Essential Guide to Nutrient Requirements. Washington D.C. 2006.
2. Foster M, Samman S. Vegetarian diets across the lifecycle: impact on zinc intake and status. Adv Food Nutr Res 2015;74:93-131.
3. Hunt JR. Bioavailability of iron, zinc, and other trace minerals from vegetarian diets. Am J Clin Nutr 2003;78:633S-9S.
4. Gibson RS, Perlas L, Hotz C. Improving the bioavailability of nutrients in plant foods at the household level. Proceedings of the Nutrition Society 2007;65:160-8.
5. Lonnerdal B. Dietary factors influencing zinc absorption. J Nutr 2000;130:1378S-83S.
6. Saunders AV, Craig WJ, Baines SK. Zinc and vegetarian diets. Med J Aust 2013;199:S17-21.
7. Mangels R, Messina V, Messina M. The Dietitian’s Guide to Vegetarian Diets: Issues and Applications. 3 ed. ed: Jones & Bartlett Learning; 2011.
8. Foster M, Chu A, Petocz P, Samman S. Effect of vegetarian diets on zinc status: a systematic review and meta-analysis of studies in humans. J Sci Food Agric 2013;93:2362-71.
9. Melina V, Craig W, Levin S. Position of the Academy of Nutrition and Dietetics: Vegetarian Diets. J Acad Nutr Diet 2016;116:1970-80.
10. King JC. Zinc: an essential but elusive nutrient. Am J Clin Nutr 2011;94:679S-84S.
11. Hunt JR, Beiseigel JM, Johnson LK. Adaptation in human zinc absorption as influenced by dietary zinc and bioavailability. Am J Clin Nutr 2008;87:1336-45.