Açafrão-das-Índias

Chamuças de tempeh

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Lembram-se da última receita que vos partilhei com tempeh? Já foi há quase um ano, mas entretanto tenho cozinhado mais vezes com esta proteína vegetal, e descobri novas formas de a confeccionar. E aparentemente, nunca mais tive más experiências com o sabor característico deste alimento.
Desta vez usei o tempeh como recheio para fazer chamuças, envolvido em especiarias e vegetais para lhe dar mais riqueza em sabor e textura. O tempeh é um bocadinho seco, por isso juntar vegetais picadinhos como cebola, pimento, cenoura,  (entre outros…) é uma boa ideia pois os vegetais libertam os seus sucos durante o refogado, e dão mais humidade e uma boa textura ao recheio, sem a necessidade de juntar muito azeite.
Utilizei massa filo para cubrir as chamuças, mas também podem usar outras massas, e até folhas de arroz. Não resisti a decorá-las com sementes de sésamo pretas, e a pincelá-las com um pouco de azeite, para que ficassem bem crocantes.
Sugiro que, caso façam esta receita, a sirvam imediatamente no próprio dia, pois como estas chamuças não são fritas, nem esta massa é muito rica em gordura, no dia seguinte perdem a sua textura crocante. Sugiro também que sirvam com uma boa salada, e acompanhem as chamuças com chutney de manga.
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Sobre carotenos

Recentemente recebi um e-mail de uma leitora do blog a questionar-me em relação à obtenção de vitamina A na alimentação vegetariana. Compreendo a dúvida. Na dieta ocidental, alguns dos principais contribuidores para obtenção de vitamina A são o leite, os seus derivados, e a carne, que apresentam vitamina A “pré-formada”. E numa alimentação vegetariana? Excluindo todos os alimentos de origem animal, não é possível a obtenção de vitamina A “pré-formada”, mas existem formas de pró-vitamina A em variadíssimos legumes e frutas, que se podem converter no nosso organismo na respectiva vitamina, como o caso dos carotenos.
sweet potato soup
Os carotenos são pigmentos responsáveis pela cor de alguns legumes, como o beta-caroteno, encontrado na cenoura, abóbora e batata-doce. Se os antigos diziam que a cenoura faz bem aos olhos, é porque até têm a sua razão. Os beta-carotenos encontrados nestes legumes vão ser convertidos em vitamina A no nosso organismo, e precisamos de vitamina A para manter uma visão saudável, para a expressão de genes, reprodução, crescimento e função imunitária. A dose diária recomendada de vitamina A são 700mcg (µg) para as mulheres e 900mcg para os homens. Mas estas recomendações referem-se a “Equivalentes de actividade de retinol”, ou seja, para contabilizarmos a vitamina A ingerida, também temos de ter em conta os tais pigmentos dos legumes, os carotenos, mas devem ser contabilizados na proporção da sua real actividade. Neste caso, os beta-carotenos têm uma equivalência de vitamina A de 1:12, ou seja, para cada 12mcg de beta-carotenos, vamos obter apenas 1mcg de equivalentes com actividade de vitamina A (este valor é aproximado, e depende da refeição, entre outros factores).

Neste caso, se ingeriremos esta sopinha cor de laranja com 8129mcg de beta-carotenos, estamos na verdade a ingerir aproximadamente 677mcg dos tais equivalentes da vitamina A, e ups, quase que ultrapassamos a recomendação apenas com esta receita. Até porque, os carotenos não se encontram apenas na cenoura ou na batata-doce, mas também nas couves, brócolos, espinafres, abóbora, meloa e papaia.

Como podem ver, numa alimentação sem produtos de origem animal também é possível a obtenção de vitamina A, com o bónus de os carotenos também serem antioxidantes, e, por isso, benéficos na redução do risco de desenvolvimento de doenças cardíacas ou cancro. E também, o facto de os beta-carotenos serem apenas convertidos em vitamina A na quantidade necessária no organismo.

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Aproveitei as dicas para vos partilhar uma das minhas sopas preferidas, a de batata-doce e cenoura com gengibre e açafrão. É bem simples, e a adição do grão é opcional, mas aconselho adicionar a quem, por vezes, só come sopa como refeição. (mais…)

Caril de seitan + Semana vegetariana

seitan curry
A propósito da semana vegetariana, que decorre entre 1 e 7 de Outubro, com várias actividades no nosso país, (podem ficar a conhecê-las aqui), reparei que, afinal, já sou vegetariana há 3 anos! Foi por volta de inícios de Outubro ou finais de Setembro em que retirei finalmente a maioria dos produtos animais da minha alimentação.

A ideia de me tornar vegetariana tinha começado há alguns meses atrás, quando me deparei com a realidade por detrás de uma peça de carne, ou de um copo de leite. Tinha uma ideia completamente diferente do que se passava, talvez por influência cultural ou mediatização destes produtos, mas a partir daquele momento não me parecia correcto voltar a comprá-los, e promover a exploração de outros seres vivos sencientes.

Achava que a ideia não seria bem aceite por aqueles que me rodeavam, e, de facto, foi exactamente o que aconteceu naquele momento, mas acabei por fazer algumas modificações a partir daí. Comecei por cortar no leite e derivados, carnes vermelhas, e gradualmente as carnes brancas e peixe, para a família se habituar à ideia, e ao mesmo tempo, aprender a cozinhar sozinha, para mim. Associado a isto, tive a sorte de me cruzar com o livros “O filósofo e lobo”, e mais tarde “Animal Rights” do mesmo autor, Mark Rowlands. A perspetiva filosófica do autor sobre este tema fez-me ganhar a confiança que precisava para expor veemente a minha posição. Perceber que nos temos de colocar perante a posição do outros seres, sencientes, capazes de sentir emoções, tal como nós, e tentar escolher o que é melhor para todos, fez sentido. E fez sentido alterar o meu estilo de vida. Acabei por deixar de usar peles, evitar produtos testados em animais, e outras formas de exploração. Ao mesmo tempo, também fiquei mais ciente da temática dos direitos humanos, e comecei a demonstrar uma postura muito menos consumista, e mais preocupada com as alterações ambientais. Posso dizer que esta alteração do estilo de vida fez-me importar com assuntos que antes nunca tinha verdadeiramente debatido na minha consciência.
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Claro que depois de fazer esta opção me deparei com algumas perguntas: “Bem, e agora, o que é que eu vou comer?” “Será que posso ter uma alimentação saudável?” “Será que vou ingerir proteína suficiente, ou posso vir a ter uma anemia por falta de ferro?”. Na altura descobri alguns websites de médicos e dietistas americanos que estudam o assunto, e o livro “Vegan for life” dos dietistas Jack Norris e Virginia Messina, cujo trabalho é admirável no sentido de divulgar esta opção de estilo de vida como sendo saudável, mas ao mesmo tempo, avisando alguns cuidados a ter, para ter uma nutrição óptima. (Bem, acho que podem imaginar de onde surgiu a ideia do blogue, e a mudança para o curso de Ciências da Nutrição…)

Foi aí que consegui convencer os que me rodeavam de que esta era a minha opção, e que era saudável, sem grandes custos, nem fardos porque eu estaria encarregue de tudo. Comecei a familiarizar-me com a cozinha, alimentos diferentes, um suplemento de vitamina B12, marcas de cosméticos que testam ou não em animais, onde comprar roupa ou calçado (…) enfim, com um pouco de paciência e alguma procura tudo se resolveu, mas têm sido uma aprendizagem contínua.
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O seitan foi a minha primeira experiência na culinária vegetariana, daí o ter preparado para vocês, depois de expor um bocadinho a minha história por detrás deste blog, e desta data. Escusado seria dizer que a receita foi um falhanço total, mas, vou ser sincera, na altura ainda percebia muito menos de culinária. Hoje posso dizer que percebo um bocadinho mais, ou, pelo menos, das minhas vegetarianices.
seitan (mais…)