Arroz malandro com feijão frade

arroz malandro

Depois de tacos mexicanos reinventados, hambúrgueres que nada têm a haver com os americanos, e comida indiana, achei que faltava um prato principal com as minhas origens por aqui. Desculpem-me se por vezes me deixo levar pelo entusiasmo do diferente, mas é-me difícil associar a comida com que fui criada ao vegetarianismo, e por isso procuro inspirações de outras cozinhas. No entanto, o arrozinho malandro que a minha mãe faz, é daquelas receitas que sempre me ficará na memória.

Habitualmente o arroz malando é feito com feijão vermelho, mas como aqui por casa há quem não goste de feijão vermelho (não me perguntem como é possível estas pessoas gostarem de todos os tipos de feijão, mas embirrarem com este). E é por isso que aqui por casa se faz com feijão frade. No entanto, sintam-se à vontade de fazer com o feijão que preferirem. Aqui por casa, também juntamos alguns grelos (de nabo) à panela, até porque já estão a acabar no quintal, e há que aproveitar os verdes da estação. Mais uma vez, sintam-se à vontade de utilizar outro tipo de vegetais de folha verde.

E sabe bem voltar às origens. Principalmente quando vemos que este prato, com ingredientes tão humildes, mas de cariz nutricional nobre, concentra tanto sabor.

Grelos // Feijão Continue reading

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Caldo verde

Tenho a certeza que todos os meus leitores Portugueses conhecem esta sopa, mas o objectivo deste post era divulgá-la aos outros cantos do mundo, à minha maneira…

O caldo verde é uma sopa feita à base de batata e couve-galega, típica do norte de Portugal. Eu acredito que a sua origem se deva à escassez de alimentos que havia na época, e que os alimentos que eram mais facilmente obtidos fossem a batata, a couve, os enchidos salgados (ocasionalmente) e a broa de milho para acompanhar. Acho que o que tornou a sopa tão conhecida foi a sua simplicidade de elaboração e o seu sabor suave, simples e humilde. É também uma sopa bastante agradável de ser degustada antes das refeições ou como ceia pois é bastante leve.

Cá em casa nas festas de família raramente falta, e até nas festas populares está presente. Também podem pedir nas “tascas” do norte de Portugal, uma tacinha de caldo (mas se não comerem carne não se esqueçam de pedir sem tora ou chouriço!), e normalmente é servido numa tigela de barro, onde são colocadas as couves cortadas muito, muito fininhas e depois o caldo de batata é regado por cima, também com um fio de azeite e só depois é que é juntado o chouriço. O caldo verde habitualmente é servido com uma fatia de broa de milho, mas como não tinha naquele dia em casa, tive de tirar as fotografias com uma fatia de pão de centeio.

Não sei se tradicionalmente é realmente assim que se faz o caldo verde, mas a receita abaixo é de família.

Caldo verde
Serve 8 sopas individuais

300g de couve galega
6 batatas médias-grandes
1 cebola (grande)
1,5l de água
Azeite e sal

Descasque a cebola e as batatas, corte tudo em cubos e coloque numa panela com a água a ferver. Enquanto as batatas cozem, lave as couves, junte as todas num molho e comece a cortá-las muito finamente. Assim que as batatas estiverem cozidas, triture com uma varinha mágica, até o caldo ficar completamente líquido. Se acharem que o caldo está muito grosso adicionem mais água. Quando a sopa estiver novamente a ferver, junte um fio de azeite, o sal e as couves. A minha mãe sempre disse que o azeite “amacia” a couve galega e por isso as couves devem ser adicionadas juntamente com o azeite. Deixe ferver um pouco, para as couves amolecerem, e sirva.

English version

Caldo verde (=green soup) is a soup made with potato and kale, typical of the northern region of Portugal. I believe that its origin is due to the lack of food that people had at the time, and the foods that were available for the majority of the population were potatoes, kale (and other vegetables) and cured meats. I think this soup become know because of its simplicity and its mild, simple and humble flavor. It is also a very pleasant soup to be savored before the main dish or as a lighter meal.

When my whole family reunites to eat together, caldo verde is always served. It can also be found in local popular festivities and in typical taverns in nothern Portugal. If you ask for a bowl of caldo verde in a tavern, most of the times they will serve it in a clay bowl and the soup will be assembled at the moment this way: first the kale (cut in very thin strips), then the potato broth, a drizzle of olive oil, and in the end the chouriço slices. If you do not eat meat don’t forget to say you do not want chouriço added to your soup. Caldo verde is usually served with a slice of Portuguese cornbread, but since I didn’t had any at home today, I took the pictures with a slice of rye bread.

Caldo verde
Serves 8 individual soups

300g kale
6 medium-large potatoes
1 onion (large)
1.5 l of water
Olive oil and salt

Peel the onion and potatoes, all cut into cubes and place in a large pan with boiling water. While potatoes are cooking, prepare the kale leaves by removing the thick middle stem and cutting the leaves into very, very fine strips. Once the potatoes are cooked, purée using a hand blender until the soup is completely liquid. Add a tablespoon or two of olive oil, salt and the prepared kale. Let the soup cook for a few minutes more, to soften the kale strips, and serve.

Açorda de grão / Chickpea açorda (inspired by a traditional Portuguese recipe)

Há alguns dias, visitei o blog da Sandra e comentei o facto de ela apresentar maravilhosas receitas tradicionais (tanto Brasileiras como Palestinianas) e como admiro isso. Então apercebi-me de que o meu próprio blog não tinha nenhuma receita tradicional Portuguesa. Para emendar esta minha falha aceitei o desafio de procurar receitas Portuguesas que fossem possíveis de tornar vegetarianas (neste caso vegana).

Para quem não conhece, a açorda é um prato típico Alentejano, e é basicamente uma sopa de pão muito aromática, que serve habitualmente de refeição. Existem imensas versões deste prato típico, sendo a receita clássica feita com ovo escalfado (é igual à receita que apresento abaixo, mas o grão é substituído por ovo), ou ovo cozido, ou ainda bacalhau. Em algumas regiões os coentros são substituídos por poejos, e por vezes também é adicionado molho de tomate ao pão demolhado.

Daqui para a frente vou tentar publicar mais receitas inspiradas em pratos típicos Portugueses. Se tiverem algum em mente que queiram partilhar e que gostassem que fosse publicado aqui no blog, podem enviar para: compassionatecuisine@hotmail.com ! :)

Açorda de grão-de-bico
(serve duas pessoas)

1 chávena de grão cozido (ou uma lata média)
4-6 fatias de pão Alentejano (ou sêmea), tradicionalmente é feito com pão da véspera
1 molho de coentros
3 colheres de sopa de azeite
2 dentes de alho
Água e sal

Coloque os alhos, sal e os coentros num almofariz e reduza-os a puré. Misture a pasta de coentros com o azeite numa tigela à parte.
Em dois pratos fundos, deite alguma água fervida e coloque as fatias de pão (partidas à mão), o grão cozido, algumas azeitonas e o molho de coentros.

Nota: apesar de não o parecer, as fatias de pão e o fundo do prato da fotografia estavam completamente embebidos em água quente e azeite.

English version

Recently, I realized that my blog didn’t had any traditional Portuguese recipe. So I challenged myself to seek for any traditional recipe that would be possible to veganize.
Açorda is a very aromatic bread soup, traditionally made in Alentejo (south-central region of Portugal), and it’s served as a main dish. There are lots of versions of this dish, but the classic recipe is made exactly like the recipe below, but instead of using chickpeas, it is served with poached (or boiled) egg, or salted cod. In some regions coriander is replaced by pennyroyal, and sometimes it is also added tomato sauce to the soaked bread.

Chickpea açorda
(serves two)

1 cup cooked chickpeas (or 1 medium can)
4-6 slices of bread, it doesn’t have to be fresh, traditionally this dish is made with day-old bread
1 bunch coriander
3 tbsp olive oil
2 garlic cloves
Olives
Hot water
Salt

Place the garlic, salt and coriander in a mortar and reduce them to puree. Mix the coriander paste with olive oil in a separate bowl.
In two medium bowls, pour some boiling water over the bread slices, then, add the cooked chickpeas, coriander paste and a few olives.