Gengibre

Caril de seitan + Semana vegetariana

seitan curry
A propósito da semana vegetariana, que decorre entre 1 e 7 de Outubro, com várias actividades no nosso país, (podem ficar a conhecê-las aqui), reparei que, afinal, já sou vegetariana há 3 anos! Foi por volta de inícios de Outubro ou finais de Setembro em que retirei finalmente a maioria dos produtos animais da minha alimentação.

A ideia de me tornar vegetariana tinha começado há alguns meses atrás, quando me deparei com a realidade por detrás de uma peça de carne, ou de um copo de leite. Tinha uma ideia completamente diferente do que se passava, talvez por influência cultural ou mediatização destes produtos, mas a partir daquele momento não me parecia correcto voltar a comprá-los, e promover a exploração de outros seres vivos sencientes.

Achava que a ideia não seria bem aceite por aqueles que me rodeavam, e, de facto, foi exactamente o que aconteceu naquele momento, mas acabei por fazer algumas modificações a partir daí. Comecei por cortar no leite e derivados, carnes vermelhas, e gradualmente as carnes brancas e peixe, para a família se habituar à ideia, e ao mesmo tempo, aprender a cozinhar sozinha, para mim. Associado a isto, tive a sorte de me cruzar com o livros “O filósofo e lobo”, e mais tarde “Animal Rights” do mesmo autor, Mark Rowlands. A perspetiva filosófica do autor sobre este tema fez-me ganhar a confiança que precisava para expor veemente a minha posição. Perceber que nos temos de colocar perante a posição do outros seres, sencientes, capazes de sentir emoções, tal como nós, e tentar escolher o que é melhor para todos, fez sentido. E fez sentido alterar o meu estilo de vida. Acabei por deixar de usar peles, evitar produtos testados em animais, e outras formas de exploração. Ao mesmo tempo, também fiquei mais ciente da temática dos direitos humanos, e comecei a demonstrar uma postura muito menos consumista, e mais preocupada com as alterações ambientais. Posso dizer que esta alteração do estilo de vida fez-me importar com assuntos que antes nunca tinha verdadeiramente debatido na minha consciência.
curry seasonings
Claro que depois de fazer esta opção me deparei com algumas perguntas: “Bem, e agora, o que é que eu vou comer?” “Será que posso ter uma alimentação saudável?” “Será que vou ingerir proteína suficiente, ou posso vir a ter uma anemia por falta de ferro?”. Na altura descobri alguns websites de médicos e dietistas americanos que estudam o assunto, e o livro “Vegan for life” dos dietistas Jack Norris e Virginia Messina, cujo trabalho é admirável no sentido de divulgar esta opção de estilo de vida como sendo saudável, mas ao mesmo tempo, avisando alguns cuidados a ter, para ter uma nutrição óptima. (Bem, acho que podem imaginar de onde surgiu a ideia do blogue, e a mudança para o curso de Ciências da Nutrição…)

Foi aí que consegui convencer os que me rodeavam de que esta era a minha opção, e que era saudável, sem grandes custos, nem fardos porque eu estaria encarregue de tudo. Comecei a familiarizar-me com a cozinha, alimentos diferentes, um suplemento de vitamina B12, marcas de cosméticos que testam ou não em animais, onde comprar roupa ou calçado (…) enfim, com um pouco de paciência e alguma procura tudo se resolveu, mas têm sido uma aprendizagem contínua.
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O seitan foi a minha primeira experiência na culinária vegetariana, daí o ter preparado para vocês, depois de expor um bocadinho a minha história por detrás deste blog, e desta data. Escusado seria dizer que a receita foi um falhanço total, mas, vou ser sincera, na altura ainda percebia muito menos de culinária. Hoje posso dizer que percebo um bocadinho mais, ou, pelo menos, das minhas vegetarianices.
seitan (mais…)

Por tentativa e erro

Soba noodles with tempeh and vegetables
Durante estes últimos 3 ou 4 anos em que me aventurei na cozinha vegetariana, devo ter experimentado mais ingredientes diferentes, do que no resto da minha vida. Tudo começa por tentativa e erro, e acreditem, cometi imensos erros com ingredientes e em receitas que até são simples, e fiz coisas intragáveis. Aprendi com os erros, e descobri que a persistência é aliada do conhecimento.

Um bom exemplo da minha persistência é o tempeh. Maldito ingrediente da culinária asiática, que só consegui dominar muito recentemente.

Tudo começou há alguns anos, quando, na pesquisa de fontes de proteína vegetais em inglês, encontro “tempeh (100g) – 19g”. Pesquisei algumas receitas em inglês, e descobri que estava condenada ao falhanço. A maioria das receitas continham ingredientes de nome complicado, que na altura não conhecia, “maple syrups, soy sauce, sriracha, ginger, miso (…), o que é isto?” entre outras coisas, que a maioria das pessoas nem imagina que existem. Ainda assim, resolvi experimentar com alguns temperos que tinha por casa. Na minha primeira experiência com esta proteína vegetal obtive um tempeh fatiado com molho de laranja intragável. Na segunda experiência, resolvi fazer uns hambúrgueres com batata-doce, e novamente, apesar da consistência estar excelente para um hambúrguer vegetal, o sabor amargo do tempeh estava lá. Alguns meses mais tarde, enfrentei de novo este produto, mas desta vez cozi-o em água, fiz uma marinada, e fritei-o. Finalmente o tempeh tinha perdido aquele sabor amargo, apesar do sabor característico estar presente, mas envolvido em aromas como o gengibre, e sabores doce, salgado do molho de soja e ácido da lima. O que me levou a partilhar esta receita convosco.
Soba noodles with julienne vegetables and tempeh
Mas afinal, o que é tempeh? É um produto feito a partir de grãos de soja fermentados. Considero-o uma boa fonte de proteína vegetal porque é pouco processado, apenas consiste nos grãos de soja juntos, e o facto de ser fermentado, vai aumentar a digestibilidade das suas proteínas, a absorção de nutrientes.
Por 100g, o tempeh tem cerca de 190kcal, 19g de proteína, poucos hidratos de carbono, 11g de gordura, na sua maioria mono e polinsaturada, e cerca de 10g de fibra. É uma boa fonte de vitamina B2, B3 e B6, assim como dos minerais Manganês, Magnésio, Ferro, Cobre e Fósforo. Pode até ser mais proteína vegetal mais interessante nutricionalmente do que o tofu, porque tem um menor processamento, maior quantidade de micronutrientes, e pode ser digerido mais facilmente, mas no final tudo se resumo ao sabor. Para quem não gosta do tofu por não ter sabor ou textura, acho que deve experimentar o tempeh, tem um sabor característico forte, e uma textura que eu considero ser mais agradável. Para quem já experimentou tempeh, e não gostou do sabor amargo, mas até dava uma 2ª oportunidade, então porque não experimentar esta receita?
Soba noodles with tempeh and vegetables (mais…)

Caril com sabores tailandeses de noodles, tofu e amendoim

noodle curry
Como já devem ter visto por aqui no blog, adoro adicionar uma boa quantidade de especiarias aos meus pratos. Adoro experimentar sabores novos, fazer diferentes combinações, e aperceber-me da inevitabilidade de fazer sempre um prato de sabor diferente, mesmo quando junto as mesmas especiarias. Por outro lado, bem sei que parece assustador ver tantos sabores novos numa receita para algumas pessoas. Para aqueles que por vezes me dizem que não têm os ingredientes para fazer as minhas receitas, digo-vos que a minha prateleira de especiarias há 2 anos não tinha nem um décimo das que tem agora, juro. Mas com o tempo e experiência fui juntando alguns ingredientes novos, e encorajo aqueles que se estão a aventurar na culinária a fazer o mesmo. Aos poucos. Começar com uma tentativa de cozinhar com gengibre, e se calhar na próxima semana experimentar o açafrão, e na outra, os coentros em pó, e quem sabe não desafiam o palato a novos sabores que nunca pensaram vir a gostar.
Esta semana combinei alguns sabores que lembram o caril tailandês. Gengibre, lima, coentros, malaguetas e coco, todos de sabor muito característicos e fortes, mas que em combinação acredito que se conseguem contrabalançar. O ácido da lima e o doce do coco, e o fresco dos coentros com o picante da malagueta. Tudo num único molho a servir noodles, tofu macio e amendoins crocantes.
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