Lima

A minha versão do Pad Thai

Parte do encanto que sinto pelo mundo da culinária está relacionado com a necessidade de sermos criativos. Porque não somos capazes de comer o mesmo todos os dias, somos impulsionados pelo gosto do acto de cozinhar a descobrir novos sabores e variações de receitas clássicas. O Pad Thai é uma dessas receitas. Quando ouvi falar deste prato tipicamente tailandês, associei-o imediatamente a um prato com ingredientes como carnes, camarões e molho de peixe. Algo difícil de adaptar. Mas depois descobri umas centenas de adaptações vegetarianas, que incluíam tofu, edamame, vegetais variados, noodles, arroz (…), e inclusivamente o molho era completamente diferente de receita para receita, e podia mudar completamente de ingredientes… No meio de tanta versão, não faço ideia de qual é que se aproxima da original. A culinária tem destas coisas curiosas. Pega-se numa ideia e adapta-se ao nosso gosto, para a tornar ainda melhor, mas ao mesmo tempo reconhecendo que nada nasce a partir do nada, apenas criamos novas versões, e evoluímos.

Pad ThaiNesta versão do Pad Thai, inspirada numa receita do livro “Green Kitchen Travels“, utilizei noodles de curgete e cenoura para lhe dar uma textura mais crocante, mas também para fugir aos tradicionais noodles, e aproveitar este prato quase como se de uma salada se tratasse. (Afinal, não é hoje que começa a Primavera?) No entanto, para uma refeição mais saciante, sugiro que juntem noodles de trigo sarraceno ou outros da vossa preferência. Também juntei tofu e rebentos de feijão mungo, para aumentar teor proteico desta “salada”. O molho é muito diferente de muitos que já experimentei, e utiliza manteiga de amendoim, molho de soja e sumo de lima, ingredientes que nunca imaginei que pudessem combinar, mas resultam muito bem neste prato fresco. Por fim, sugiro que guarneçam o prato com amendoins crocantes, sementes levemente tostadas, e coentros frescos, para dar uma textura e aroma ainda melhor a esta versão do Pad Thai!

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Caril de seitan + Semana vegetariana

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A propósito da semana vegetariana, que decorre entre 1 e 7 de Outubro, com várias actividades no nosso país, (podem ficar a conhecê-las aqui), reparei que, afinal, já sou vegetariana há 3 anos! Foi por volta de inícios de Outubro ou finais de Setembro em que retirei finalmente a maioria dos produtos animais da minha alimentação.

A ideia de me tornar vegetariana tinha começado há alguns meses atrás, quando me deparei com a realidade por detrás de uma peça de carne, ou de um copo de leite. Tinha uma ideia completamente diferente do que se passava, talvez por influência cultural ou mediatização destes produtos, mas a partir daquele momento não me parecia correcto voltar a comprá-los, e promover a exploração de outros seres vivos sencientes.

Achava que a ideia não seria bem aceite por aqueles que me rodeavam, e, de facto, foi exactamente o que aconteceu naquele momento, mas acabei por fazer algumas modificações a partir daí. Comecei por cortar no leite e derivados, carnes vermelhas, e gradualmente as carnes brancas e peixe, para a família se habituar à ideia, e ao mesmo tempo, aprender a cozinhar sozinha, para mim. Associado a isto, tive a sorte de me cruzar com o livros “O filósofo e lobo”, e mais tarde “Animal Rights” do mesmo autor, Mark Rowlands. A perspetiva filosófica do autor sobre este tema fez-me ganhar a confiança que precisava para expor veemente a minha posição. Perceber que nos temos de colocar perante a posição do outros seres, sencientes, capazes de sentir emoções, tal como nós, e tentar escolher o que é melhor para todos, fez sentido. E fez sentido alterar o meu estilo de vida. Acabei por deixar de usar peles, evitar produtos testados em animais, e outras formas de exploração. Ao mesmo tempo, também fiquei mais ciente da temática dos direitos humanos, e comecei a demonstrar uma postura muito menos consumista, e mais preocupada com as alterações ambientais. Posso dizer que esta alteração do estilo de vida fez-me importar com assuntos que antes nunca tinha verdadeiramente debatido na minha consciência.
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Claro que depois de fazer esta opção me deparei com algumas perguntas: “Bem, e agora, o que é que eu vou comer?” “Será que posso ter uma alimentação saudável?” “Será que vou ingerir proteína suficiente, ou posso vir a ter uma anemia por falta de ferro?”. Na altura descobri alguns websites de médicos e dietistas americanos que estudam o assunto, e o livro “Vegan for life” dos dietistas Jack Norris e Virginia Messina, cujo trabalho é admirável no sentido de divulgar esta opção de estilo de vida como sendo saudável, mas ao mesmo tempo, avisando alguns cuidados a ter, para ter uma nutrição óptima. (Bem, acho que podem imaginar de onde surgiu a ideia do blogue, e a mudança para o curso de Ciências da Nutrição…)

Foi aí que consegui convencer os que me rodeavam de que esta era a minha opção, e que era saudável, sem grandes custos, nem fardos porque eu estaria encarregue de tudo. Comecei a familiarizar-me com a cozinha, alimentos diferentes, um suplemento de vitamina B12, marcas de cosméticos que testam ou não em animais, onde comprar roupa ou calçado (…) enfim, com um pouco de paciência e alguma procura tudo se resolveu, mas têm sido uma aprendizagem contínua.
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O seitan foi a minha primeira experiência na culinária vegetariana, daí o ter preparado para vocês, depois de expor um bocadinho a minha história por detrás deste blog, e desta data. Escusado seria dizer que a receita foi um falhanço total, mas, vou ser sincera, na altura ainda percebia muito menos de culinária. Hoje posso dizer que percebo um bocadinho mais, ou, pelo menos, das minhas vegetarianices.
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Tacos mexicanos de feijão preto e salsa de abacate

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As receitas que sirvo em casa diariamente são geralmente bastante simples, simples até demais para serem receitas aqui no blog, mas é inevitável explorar as diferentes culturas gastronómicas, para tornar a culinária vegetariana mais interessante, (ou para, neste caso, apimentá-la).
Adoro aquilo que conheço e aplico da culinária mexicana, e adoro recriar a partir da sua inspiração pratos mais saudáveis, como estes “tacos”. A receita que utilizei foi inspirada numa do livro “Plenty” de Yotam Ottolenghi, mas era originalmente de “quesadillas”, e por isso, levavam queijo cheddar. Eu preferi cortar no queijo, e partilhar convosco um procedimento mais simples, como o dos “tacos” (em que é só “dobrar e comer”), no lugar de fazer “quesadillas”, porque sinceramente o resultado final seria bastante semelhante.
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