Pêssego

Frutas de verão maceradas


Folheando um dos meus livros de culinária preferidos, o “How to cook everything vegetarian” do Mark Bittman, um livro extenso mas prático e acessível para todos os entusiastas da culinária vegetariana, deparo-me no capítulo das frutas com deliciosas sugestões de frutas maceradas. Às frutas, é-lhes adicionado um líquido, que é absorvido, provocando um ligeiro amolecimento da textura e mudança no sabor nas frutas. O conceito é semelhante ao marinar, mas neste caso o ingrediente ao qual é aplicada a marinada é a fruta.

O líquido utilizado para macerar as frutas pode ser um xarope, sumo de fruta, vinagre ou algumas bebidas alcoólicas como vinho ou licores. E, para além do líquido utilizado para macerar, podem também ser adicionadas especiarias e ervas aromáticas que resultem bem com os sabores doce e ácido das frutas. Exemplos de combinações possíveis de frutas, líquido e condimentos poderão ser: maçã ou pera com sementes de funcho maceradas em vinho branco e um xarope; meloa com alecrim e xarope ou açúcar dissolvido em um pouco de água; cerejas maceradas em vinho do Porto; citrinos cortados em segmentos com anis, canela ou gengibre, maceradas em sumo de citrinos, entre tantas outras possibilidades…


De uma forma geral, para a elaboração desta forma de preparar frutas, deve começar por cortar em cubos ou fatiar frutas de tamanho médio ou grande (as frutas mais pequenas podem ser deixadas inteiras), e envolvê-las no líquido e condimentos que ponderar utilizar. Caso utilize frutas secas, deve adicionar uma quantidade generosa de líquido, de forma a cobrir por completo as frutas secas. Tape o recipiente e guarde no frigorífico, mexendo as frutas ocasionalmente. As frutas frescas e macias requerem uns escassos 15 a 30 minutos até amolecerem e absorverem o sabor do líquido e condimentos, mas no caso de frutas mais densas como maçã ou abacaxi, deixe macerar 3 a 4 horas, ou 12 a 24 horas quando se tratam de frutas secas. O resultado final deve ser fruta macia e com aroma e sabor do líquido, especiarias ou ervas aromáticas em que esteve a macerar, e não deve ser mole e sem qualquer consistência.

A fruta pode ser servida como topping para panquecas, waffles, iogurte ou gelado, como recheio de crepes, incorporada em bebidas, ou adicionada a pratos salgados.


Dada as imensas possibilidades de combinações de fruta e de líquido utilizado para macerar, trata-se de um método versátil e que permite dar mais sabor às frutas menos apelativas, ou mais maduras…


Finalmente, deixo-vos duas sugestões de receitas onde apliquei este método, e que utilizam essencialmente frutas da estação, como amoras, pêssegos e meloa. E, tal como sugerido nas fotografias, as frutas maceradas foram servidas ao pequeno-almoço com iogurte e a minha receita de aveia tostada na frigideira (indicada mais abaixo), mas, também poderiam ser servidas como sobremesa.


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Panquecas proteicas de aveia

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Nos últimos tempos tenho levado os treinos a outro nível, e, com isso, surgiram novos objectivos. Ora, seria inevitável que a alimentação tomasse um novo rumo, ainda que vegetariana, e acabasse por se reflectir nas receitas que partilho.

Desta vez partilho-vos panquecas. Esta é provavelmente uma das minhas receitas preferidas por tão ser rápida e por ter ingredientes simples, que incluo frequentemente na minha alimentação. Gosto de as fazer de manhã ou no dia anterior, e facilmente transportar para qualquer lado num tupperware com rodelas de banana ou outras frutas e até uma pitada de canela, para um lanche ou pequeno-almoço prático e saboroso.
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Como já devem ter reparado, esta receita exclui os ovos e o trigo e por isso estas panquecas têm um textura ligeiramente diferente, são mais densas, e podem partir-se enquanto as virar na frigideira. Para que não vos aconteça isto, aconselho-vos a pré-aquecer bem a frigideira, e depois de colocar a massa, deixar cozer bem por baixo, de forma a que se formem bolhinhas na face superior, e as bordas da panqueca estejam notavelmente cozidas (cerca de 2-3 minutos, dependendo das frigideiras e do lume). Adicionar linhaça também é uma boa ideia visto que a massa é delicada, e por isso ajuda a manter-se ligada e coesa.

Por fim, espero que gostem da sugestão, e, caso não tenham proteína, podem substituir por mais aveia, na mesma quantidade, ou oleaginosas. E como as servir? Com fruta da época, que é a meu ver a melhor forma de as “adoçar” (não tenho o hábito de juntar açúcar à massa das panquecas), mas também pode servir com iogurte ou manteigas de oleaginosas (como na última fotografia, com a minha “Nutella” de avelã e cacau).
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Crumble cru de pêssegos e framboesas

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Esta época do ano é provavelmente a minha preferida. Pêssegos maduros, e frutos silvestres que vão aparecendo aqui e ali. A desculpa perfeita para fazer uma sobremesa todos os dias com estes ingredientes deliciosos… Mas desta vez ficamo-nos só por este crumble! 😉

Este crumble tem um topping de coco, aveia, e manteiga de amêndoa, (que podem substituir por outra manteiga de oleginosas), e tâmaras, para adoçar, e manter o topping mais consistente, e um pouco doce. O recheio resume-se ao sabor de pêssegos maduros com um leve toque citrico do limão e um aroma reconfortante da canela, que para mim é obrigatório num crumble, quer seja cru ou não.

Esta sobremesa é muito simples e não vai ao forno, (o que, sinceramente, nesta altura parece-me uma vantagem, porque eu não gosto de ligar o forno com este calor). Mas mimetiza o crumble tradicional, porque os pêsssegos ficam macios com a adição do sumo de limão e xarope, e o topping, apesar de ser diferente, tem um sabor a coco e amêndoa que acompanha bem a doçura das frutas da época.
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