Iodo

O iodo é uma parte integrante das hormonas tiroideias, tiroxina (T4) e triiodotironina (T3). A recomendação da ingestão diária de iodo é de 150 µg para indivíduos adultos1.

O conteúdo em iodo nos alimentos de origem vegetal é variável e dependente da concentração de iodo nos solos. Desta forma, quem segue um padrão alimentar vegano, poderá apresentar um maior risco de défice de iodo2-4. As principais fontes de iodo em vegetarianos são o sal iodado, alimentos fortificados, algas, e lacticínios, no caso dos ovolactovegetarianos4,5.

Uma estratégia para assegurar a ingestão adequada de iodo é a substituição do sal comum pelo sal iodado, nas quantidades recomendadas. A utilização de sal iodado (20-40 mg de iodo/kg de sal) permite que, mesmo consumindo os 5 g de sal recomendados pela Organização Mundial de Saúde, a quantidade de iodo disponibilizada seja suficiente6.

O conteúdo de iodo das algas é variável, sendo que algumas espécies podem fornecer quantidades consideráveis deste oligoelemento (tabela 5), levando potencialmente à toxicidade caso o seu consumo seja regular e generoso7. A ingestão diária não deve ultrapassar o limite máximo tolerável de 1100 µg para adultos8. Assim, é recomendado que o consumo de algas não seja superior a 3 a 4 vezes por semana9.

Tabela 1

Conteúdo em cálcio, sódio, ferro e iodo em 8 g de algumas espécies edíveis de algas desidratadas, e a respetiva contribuição para a ingestão diária recomendada (IDR).

Algas, desidratadas

Cálcio

MG/8G

MG/8G

Sódio

MG/8G

MG/8G

Ferro

MG/8G

MG/8G

Iodo

MG/8G

MG/8G

DULSE (PALMARIA PALMATA)

74,4

10,6%

127,6

8%

6,4

74%

5100

3650%

KOMBU (LAMINARIA DIGITATA)

176,8

25,5%

302,8

302,8

22,1

254%

34000

24250%

KOMBU (LAMINARIA DIGITATA)

176,8

25,5%

302,8

302,8

22,1

254%

34000

24250%

NORI (PORPHYRA SPP.)

24

3,4%

84

5,25%

3,7

42%

940

670%

WAKAME (UNDARIA PINNATIFIDA)

93,6

13,3%

374

23,3%

3,6

37%

3200

2300%

WAKAME (UNDARIA PINNATIFIDA)

93,6

13,3%

374

23,3%

3,6

37%

3200

2300%

Fonte:

macartain p, gill ci, brooks m, campbell r, rowland ir. nutritional value of edible seaweeds. nutr rev 2007;65:535-43.

Os estudos até à data que avaliaram a função tiroideia e a adequação nutricional de iodo em vegetarianos verificaram que os níveis das hormonas tiroideias encontram-se dentro dos parâmetros considerados normais, não se verificando disfunção da tiroide, apesar de uma menor ingestão de iodo por parte dos veganos4.

Bibliografia:

1. Food and Nutrition Board, Institute of Medicine, National Academies. Dietary Reference Intakes: The Essential Guide to Nutrient Requirements. Washington D.C. 2006.
2. Lightowler HJ, Davies GJ. Iodine intake and iodine deficiency in vegans as assessed by the duplicate-portion technique and urinary iodine excretion. Br J Nutr 1998;80:529-35.
3. Krajcovicova-Kudlackova M, Buckova K, Klimes I, Sebokova E. Iodine deficiency in vegetarians and vegans. Ann Nutr Metab 2003;47:183-5.
4. Leung AM, Lamar A, He X, Braverman LE, Pearce EN. Iodine status and thyroid function of Boston-area vegetarians and vegans. J Clin Endocrinol Metab 2011;96:E1303-7.
5. Mangels R, Messina V, Messina M. The Dietitian's Guide to Vegetarian Diets: Issues and Applications. 3 ed. ed: Jones & Bartlett Learning; 2011.
6. Teixeira D, Calhau C, Pestana D, Vicente L, Graça P. Iodo – Importância para a saúde e o papel da alimentação. Lisboa: Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável, Direção-Geral da Saúde; 2014.
7. Teas J, Pino S, Critchley A, Braverman LE. Variability of iodine content in common commercially available edible seaweeds. Thyroid 2004;14:836-41.
8. Food and Nutrition Board, Institute of Medicine, National Academies. Dietary Reference Intakes (DRIs): Recommended Dietary Allowances and Adequate Intakes, Elements.
9. Silva S, Pinho J, Borges C, Santos C, Santos A, Graça P. Linhas de Orientação para uma Alimentação Vegetariana Saudável. Lisboa: Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável. Direção-Geral da Saúde; 2015.